Tour de France 2015 – Run to the mountains

Finalmente o Tour chegou ao primeiro dia de descanso (e eu a voltar a ter acesso à internet) depois de uma semana complicada, que teve de tudo um pouco, menos altas montanhas. Segue abaixo uma série de “curtas” com alguns assuntos relevantes dessa primeira semana e dos próximos dias.

Froome em alta, Nibali em baixa

Froome terminou a primeira semana com mais de 1 minuto de vantagem para todos os adversários principais. Apenas o americano Tejay Van Garderen (BMC) está próximo, a 12 segundos. Enquanto isso, Nibali ficou para trás tanto na subida do Mûr de Bretagne como não ganhou nada nas outras etapas. Segundo comentários na equipe, a moral está baixa na equipe cazaque.

O arquivo secreto de Chris Froome

Na tarde/noite de hoje um perfil no twitter e no youtube publicou um vídeo e os dados da escalada de Froome no Monte Ventoux. Pela reação da Sky, esses dados foram “hackeados” ilegalmente e a equipe não perdeu tempo em desativar essas contas. Ao invés de esclarecer a situação, essa perseguição da Sky acaba dando mais combustível para comentários como “onde tem fumaça, tem fogo”, “quem não deve não teme”, etc.

Quintana mineirinho

O colombiano passou a primeira semana quase ileso, a não ser pelo 1:30 perdido na tempestade da 2a etapa. Ele agora tem o ambiente favorito dele para descontar esse tempo de Froome, com várias etapas de montanha por vir.

Sagan, o adaptável

Tentaram mudar o sistema de pontuação, mas no final da 1a semana o eslovaco está novamente com a camisa verde de líder de pontos. André Greipel venceu duas etapas planas, que davam 50 pontos cada, mas Sagan vem com uma regularidade excelente galgando pontos e está apenas três à frente do alemão. Com poucas etapas planas pela frente, Sagan provavelmente não perde mais essa camisa nas CNTP.

Basso e o câncer

Hoje também surgiu a notícia que Ivan Basso, que, ironia, foi contemporâneo de Lance Armstrong e hoje é companheiro de Contador na Tinkoff Saxo, abandonou o tour por conta de um recém-descoberto câncer nos testículos. A boa notícia é que como foi diagnosticado cedo, segundo o médico dele ele tem mais de 98% de chances de se curar. Força para o italiano.

O que vem por aí

Nessa segunda semana, todos estão na torcida para os fogos de artifício começarem logo na terça, na primeira etapa de chegada em alta montanha, em La Pierre-Saint-Martin, nos Pirineus. Depois, quarta teremos o ponto mais alto (literalmente) do Tour: Col du Tourmalet, a 2115m de altitude. Na quinta, outra montanha, com o famoso Plateau de Beille. Sexta será uma etapa de transição, mas nem por isso plana (ponto p/ Sagan). Sábado, uma chegada complicada em Mende com uma subida curta mas bastante inclinada logo antes. E no domingo, finalmente uma chegada plana em Valence.

Tour de France 2015 – Depois do temporal, a calmaria?

Como foi até aqui?

4 etapas completamente diferentes, 4 vencedores diferentes, 4 líderes diferentes, vários enchelons, paralelepípedos, contra-relógios, acidentes graves. O início do Tour teve praticamente de tudo.

A primeira etapa foi um contra-relógio de 13km em Utrecht, Holanda. A prova foi vencida por Rohan Dennis (BMC), que bateu o recorde de Chris Boardman dos anos 90 de contra-relógio mais rápido da história. O australiano fez uma média de 55,446km/h e desbancou os favoritos Tony Martin (Etixx-QuickStep), Fabian Cancellara (Trek) e o local Tom Dumoulin (Giant-Alpecin), que completaram as 4 primeiras posições a menos de 10s de Dennis. Entre os favouritos para a classificação geral, as coisa ficou bem embolada e Nairo Quintana (Movistar) saiu feliz por não ter perdido muito tempo para Chris Froome (Sky), Vincenzo Nibali (Astana) e Alberto Contador (Tinkoff-Saxo).

No dia seguinte, o que era para ser uma etapa tranquila, completamente plana, se transformou num pesadelo nos último terço da prova, quando o pelotão entrou na costa do Mar do Norte rumo à chegada, numa ilha artificial da Holanda. Os ventos cortaram o grupo e uma “mega fuga” se formou com pouco menos de 30 ciclistas. Entre eles, Contador, Froome e Van Garderen (BMC) foram os grande vencedores na classificação geral, abrindo cerca de um minuto e meio para os adversários. André Greipel (Lotto-Soudal) venceu Peter Sagan (Tinkoff-Saxo) e Cancellara no sprint. A ironia da prova foi que com o suíço na 3a posição, os segundos de bonificação o levaram a vestir a camisa de líder, ficando 3 segundos à frente de Tony Martin, que continuou na 2a posição. E o pior de tudo para Martin foi perder a chance de liderar a prova devido seu companheiro, Mark Cavendish, desistir do sprint no final, facilitando a vida de Cancellara. Com certeza a DR deve ter sido longa no hotel da Etixx-Quickstep.

Na segunda, uma versão simplificada da Flèche Wallone, culminando no Mur de Huy, uma subida curta porém duríssima. Apesar dela, o momento mais importante do dia foi o acidente que vitimou vários atletas. William Bonnet (FDJ) foi o primeiro a cair e levou a pior, fraturando uma vértebra do pescoço além de outros hematomas. Entre os ciclistas que abandonaram relacionado a esse acidente, temos Cancellara, que machucou novamente uma vértebra que havia fraturado no começo do ano. A Orica-Greenedge também perdeu Simon Gerrans e Daryl Impey, além de Michael Matthews estar continuando no Tour no sofrimento. Tom Dumoulin também foi forçado a abandonar devido a um ombro deslocado. Adam Hansem (Lotto-Soudal), que vai na sua 12o grande volta consecutiva, também machucou o ombro numa queda mas disse que “come dor no café da manhã” e vai continuar.

Um ponto do acidente que causou muita confusão foi o fato de neutralizarem a prova quando ele ocorreu. Logo começaram acusações que era porque o líder Cancellara estava envolvido, que era um precedente grave. Mas logo foi data a (correta) explicação de que não haviam ambulâncias e carros médicos disponíveis, já que todos estavam socorrendo os acidentados. Como a corrida só pode continuar com apoio médico, foi necessário neutralizar.

Na chegada em Huy, um pelotão reduzido começou a subida e Froome ditou o ritmo no começo, mas nem ele foi capaz de responder ao ataque de Joaquim Rodriguez (Katusha), vencedor da Flèche Wallone em 2012. Com o segundo lugar, Froome conseguiu a camisa de líder e ficou 1s à frente de … Tony Martin, que continuou como vice.

Hoje, terça, foi o dia mais temido para todos os ciclistas na classificação geral: os paralelepípedos do nordeste da França. Entre eles, algumas seções usadas na Paris-Roubaix. Apesar do vento, não tivemos chuvas fortes como no ano passado e um grupo relativamente grande chegou ao final. A 3km do fim, cansado de bater na trave, Tony Martin aproveitou o vácuo de uma moto da organização e lançou um ataque. Apesar de muitos ciclistas, o grupo estava bastante desorganizado e o alemão conseguiu finalmente vencer e, principalmente, vestir a camisa de líder. E isso tudo depois de ter um problema e pegar uma bicicleta emprestada com um colega quase 10cm mais baixo. Enquanto isso, Thibaut Pinot (FDJ) pareceu recusar a bicicleta de um companheiro quando teve problemas nos últimos setores de pedras e acabou ficando muito para trás, perdendo mais de 3 minutos. Apesar de ter potencial, Pinot parece ter esses momentos de pânico em que não consegue pensar direito e acaba tendo “apagões”.

O que vem por aí

Enquanto na classificação geral as coisas devem se acalmar um pouco, na disputa dos sprinters os próximos dias serão fundamentais, com 150 pontos à disposição de quem vencer a prova, além de 60 pontos nos sprints intermediários. Depois, apenas 2 etapas terão 50 pontos para o vencedor, incluindo o final no Champs-Élysées. No momento, Greipel lidera com 84 pontos contra 78 de Sagan e 60 de Degenkolb. Duas dessas etapas são em chegadas planas, mas a outra é em subida, perfeita para Sagan, Matthews (se tiver se recuperado do acidente) e, em certa forma, Degenkolb.

Nas outras equipes, hora de lamber as feridas desse começo caótico e tentar guardar forças para o contra-relógio por equipes de domingo. Porém, algumas dessas próximas etapas podem ser palco de ventos fortes, trazendo lembrança do desespero que foi o segundo dia.

Pessoalmente, creio que a surpresa até agora tem sido Warren Barguil (Giant-Alpecin). Depois de vitórias na Vuelta-13 e a oitava colocação na Vuelta-14, o jovem francês (23 anos) está em 11o na geral, depois de estar presente em vários momentos chaves da prova até aqui: Na fuga que venceu a 2a etapa e sobrevivendo aos paralelepípedos. A maior preocupação para ele no momento deve ser o contra-relógio por equipes, já que o principal motor da sua equipe, Dumoulin, foi forçado a abandonar.

Visualizando a classificação

Aproveitando o tour e o “sabático forçado”, estou montando um site simples para visualizar melhor o progresso nas classificações. Às vezes um gráfico ajuda a mostrar quem está perdendo tempo na terceira semana, quem se recuperou daquela etapa horrível na 1a semana, etc. Acho que amanhã ainda devo ter algo no ar. Quem sabe não vira uma feature nova no ProCyclingStats?

* Ryder Hesjedal (Cannondale-Garmin) e Steven Kruijswijk (LottoNL-Jumbo) perderam vários minutos na 4a etapa do Giro deste ano, mas conseguiram se recuperar e terminar entre os 10 melhores (5o e 7o, respectivamente).

Tour de France 2013 – Conclusão

Passou rápido…

Após 21 estágios, 3.403km e muitas montanhas, o Tour de France de 2013 terminou domingo passado, 21 de Julho, em Paris. Diferente da edição passada, neste ano tivemos etapas emocionantes do início ao fim. Desde a caótica primeira etapa até o belo sprint final ao anoitecer no Champs-Élysées.

Percurso da 100ª edição.

 

Consagração de Froome

Chris Froome (Sky) chegou ao Tour como franco favorito depois de vitórias no Tour de Omã, Tour da Romandia e Critérium du Daphiné e de ter sido o fiel gregário de Bradley Wiggins na vitória da edição passa. Logo na primeira etapa de montanha assumiu a Maillot Jaune e mostrou a que veio, colocando mais de um minuto nos seus adversários diretos, que ganharam uma pequena esperança quando a Sky foi trucidada na etapa seguinte e deixou Froome isolado durante boa parte do tempo. No primeiro contra-relógio individual, outro golpe do britânico aumenta mais ainda a diferença e assusta o campeão mundial de contra-relógio Tony Martin (Omega).

Froome no 1º contra-relógio individual.

A Saxo até que tentou e conseguiu tirar um pouco de tempo na 13ª etapa, mas Froome venceu com autoridade no Mont Ventoux e ampliando sua vantagem. Após um pequeno susto na descida até Gap, Froome de certa forma surpreendeu e ganhou o contra-relógio individual nas montanhas por uma pequena vantagem sobre Alberto Contador (Saxo-Tinkoff). No Alpe d’Huez e em Annecy-Semnoz, Froome perdeu um pouco de tempo para Nairo Quintana (Movistar) e Joaquim Rodriguez (Katusha), mas nada que o pudesse ameaçar na liderança geral.

Curiosidade: Nas duas vezes anteriores em que uma equipe conseguiu dois títulos em sequência com dois ciclistas diferentes, o vencedor da 2ª edição foi vice na edição anterior. Além da Sky com Wiggins e Froome, isso aconteceu com a La Vie Claire (Bernard Hinault e Greg LeMond, 85-86) e Team Telekom (Bjarne Riis e Jan Ullrich, 96-97).

Pistoleiro bem que tentou, mas não acertou o alvo

Se Froome teve uma performance inesquecível, Alberto Contador deve estar querendo esquecer o mais rápido possível. Mesmo com uma equipe forte (Rogers, Kreuziger, Roche), ele ficou longe de parecer o Contador dos velhos tempos (Ok, houve o episódio do bife nesse intervalo). O pistoleiro em nenhum momento foi capaz de atacar nas subidas e deixar outros ciclistas para trás. Seus melhores momentos na montanha foram o ataque na descida até Gap, em que acabou se machucando, e o ataque na descida entre as passagens no Alpe-d’Huez, onde logo foi alcançado. Em alguns momentos até mesmo Kreuziger parecia mais em forma que o espanhol. De positivo, apenas a aula de como atacar no vento durante a 13ª etapa.

Após o Tour, o então patrocinador da equipe, Oleg Tinkoff, fez declarações públicas no twitter criticando o espanhol, afirmando que ele ganha muito e não tem fome de vitória suficiente. Alguns dias depois, o diretór da equipe, Bjarne Riis, anunciou que a Tinkoff não continuaria como patrocinador no próximo ano…

Purito e a 3ª semana

Chegando ao Mont Ventoux, Joaquim “Purito” Rodriguez estava apenas na 10ª posição, a 5:48 de Froome. Mas a partir da mítica montanha, Purito foi ganhando força e, junto com Nairo Quintana, conseguindo ficar à frente dos rivais e galgar posições. Em algumas etapas, como dito anteriormente, conseguindo até mesmo deixar Froome para trás.

No final, o espanhol conseguiu a façanha de alcançar seu terceiro pódio consecutivo em grandes voltas, após o 2º lugar no Giro e 3º na Vuelta em 2012. Dessa vez pelo menos ele conseguiu terminar a prova de forma ascendente, enquanto nas outras duas ele liderava até bem próximo do final.

Belkin e a 3ª semana

Antes do Mont Ventoux a Belkin tinha dois ciclistas entre os 5 primeiros, com Bauke Mollema em 2º a 2:28 de Froome e Laurens Ten Dam em 5º a 3:01. A partir da terceira semana, os dois começaram a perder muito terreno para os outros, com Ten Dam especialmente “pipocando” na etapa do Alpe-d’Huez e terminado o Tour em 13º a mais de 21 minutos de Froome. Mollema, mesmo com alguns problemas de saúde, conseguiu salvar o 6º lugar.

Onde está a França?

País sede do Tour, com 36 vitórias ao longo das 100 edições, a França teve suas esperanças frustadas com o abandono de Thibaut Pinot (FDJ) e Pierre Rolland (Europcar) mudando o foco para a disputa de montanhistas, mas sem sucesso. Além disso, Thomas Voeckler (Europcar) não fez nada relevante além de algumas caretas. Jean-Christophe Péraud (Ag2R) até que vinha fazendo um tour decente, firme entre os 10 primeiros, mas um, digo, dois, azarados tombos na 17ª etapa forçaram seu abandono devido a uma fratura na clavícula.

Para consolação, Christophe Riblon (Ag2R) conseguiu uma bela vitória no Alpe-d’Huez e o prêmio de combatividade geral. O jovem Romain Bardet (Ag2R) foi o melhor colocado na classificação geral, em 15º. Com apenas 22 anos, ele é mais uma promessa dessa nova geração.

Onde está a BMC?

A BMC chegou com pompa e circunstância ao Tour de 2013 com a liderança dividida entre Cadel Evans e Tejay Van Garderen. Além dos dois, o campeão mundial Philippe Gilbert também era uma aposta da equipe para vitórias em algumas etapas. Logo na primeira etapa de montanha, Van Garderen perdeu 8 minutos para Evans, que ficou a 4 minutos de Froome, próximo aos 10 primeiros.

Durante todo o Tour, Gilbert conseguiu ficar entre os 10 primeiros da etapa apenas em duas ocasiões, em 5º na terceira etapa e em 8º na décima-sexta etapa, seguindo sem vencer corridas desde que ganhou a camisa de campeão do mundo.

Na última sequência de etapas de montanha, Cadel Evans jogou a toalha já no contra-relógio da 17ª etapa, onde foi apenas o 167º colocado. Na ocasião ele havia afirmado que havia desistido da classificação geral e talvez lutaria por vitórias nas etapas, algo que não aconteceu nos 3 estágios seguintes, onde sua melhor colocação foi 80º no Alpe-d’Huez. Nessa mesma etapa Van Garderen de certa forma ainda salvou um pouco de tempo de TV para a BMC na sua batalha contra Christophe Riblon.

Kittel, Kittel, Kittel, Kittel

Chegando à última etapa, Sagan já havia garantido a classificação por pontos mas nenhum sprinter era mais comentado do que Marcel Kittel (Argos-Shimano). O alemão de 25 anos até então havia vencido três etapas, incluindo a etapa inicial, e vestido a camisa de líder do tour por um dia. Além disso, conseguiu o feito de vencer Mark Cavendish (Omega) mesmo quando este teve um sprint sem problemas.

Com o cair da noite na Champs-Élysées, a Argos ofereceu a Kittel um belo trem de sprint e ele não decepcionou, conseguindo bater dois dos maiores sprinters da atualidade, André Greipel (Lotto) e Cavendish e conquistar sua quarta vitória.

Sagan pode ter ficado com a Maillot Vert, mas “o” sprinter do Tour 2013 foi Marcel Kittel.

Colombia es Pasion

Colombia es Pasion foi o nome de uma equipe continental colombiana hoje conhecida como 4-72 Colombia, mas bem que poderia ser o nome do sentimento de grande parte da torcida para com o pequeno colombiano Nairo Quintana. Com o desastre de Valverde na 13ª etapa, a Movistar depositou todas as fichas da classificação geral em Quintana, que não decepcionou e foi galgando lugares com sua expressão séria, primeiro despachando Michal Kwiatkowski (Omega) na classificação dos jovens na etapa do Mont Ventoux, depois permanecendo com Rodriguez, abrindo até mesmo de Froome na etapa do Alpe-d’Huez. No final, coroou seu Tour vencendo com autoridade em Amnecy-Semnoz, conquistando o 2º lugar geral e a camisa de melhor escalador.

Fantasmas do passado

Apesar de toda festa da 100º edição, o domínio de Froome levantou algumas sobrancelhas e várias pessoas se perguntaram se estaríamos vendo um novo Lance Armstrong. Além disso a performance de Quintana e Rodriguez na última semana também acendeu a luz amarela para alguns.

Parte desse ceticismo se deve ao trabalho de algumas pessoas, incluindo cientistas, que usaram modelos matemáticos e o tempo dos ciclistas para subir as montanhas, comparando com resultados do passado recente, teoricamente limpo, e da era negra de Armstrong. Em algumas ocasiões, os ciclistas superaram os resultados esperados, fazendo os pesquisadores ligarem o sinal amarelo. Ou seja, essas performances poderiam ser indicadores de possível doping, mas longe de serem provas, como bem frisado por eles. Porém parte da mídia e principalmente a torcida entenderam errado e já começaram as acusações, com a Sky liberando seus dados para um analista do jornal L’Equipe para tentar acalmar os ânimos.

Mas como Barry Ryan bem descreveu no CyclingNews:

O escrutínio enfrentado por Froome e a relutância de muitos em aclamar o novo campeão do Tour não é apenas uma reação direta à derrocada de Armstrong, mas a consequência de repetidos novos alvoreceres durante a longa noite que tem durado 15 anos.

Tour de France – 21ª etapa – Versailles – Champs-Élysées

C’est fini

3 semanas se passaram e é hora da caravana do Tour chegar em Paris e comemorar sua 100ª edição, mas não sem uma última batalha entre os sprinters. Com uma recepção digna dos maiores chefes de estado, os ciclistas partirão do Palácio de Versalhes, contornando o Grand Canal e seguirão até Paris, fazendo alguns circuitos em plena avenida Champs-Élysées.

Palácio de Versailles.

O percurso

A etapa de hoje teve 133km e apenas duas montanhas categoria 4 na primeira parte. Enquanto as etapas anteriores começaram por volta das 10:00 locais, hoje os ciclistas partiram às 16:00 para terminar a prova sob o anoitecer. Após saírem do Palácio de Versalhes, o ciclistas seguem para a avenida Champs-Élysées e darão 10 voltas em um circuito de 7km.

Perfil da última etapa.

Nas edições anteriores, os ciclistas paravam em frente ao Arco do Triunfo para fazer uma complicada curva de 180 graus. Para este ano a ASO decidiu contornar o Arco em uma curva mais aberta ao redor da praça Charles de Gaulle. Na outra extremidade do circuito, os ciclistas contornam a Praça da Concórdia, passando pelo túnel sob os Jardins das Tulheiras, em frente do museu do Louvre.

Arco do Triunfo.

Como começou

Antes da etapa, uma pequena mudança na pontuação de montanhas: Apesar de inicialmente inocentar Pierre Rolland (Europcar) de espremer Igor Anton (Euskaltel) na etapa passada, a direção voltou atrás e retirou os 2 pontos do francês, mas nada que mudasse a ordem da classificação de montanhas.

Diferentemente das outras etapas, nenhum ataque ocorreu durante boa parte da corrida, com o pelotão chegando inteiro nas duas montanhas do dia enquanto Chris Froome (Sky) posava para a tradicional foto com champanhe. O ritmo continuou tranquilo até entrar no circuito da Champs-Élysées, quando o ritmo aumentou com a proximidade do sprint intermediário.

Lars Boom (Belkin) foi o primeiro a tentar um ataque mais forte mas logo foi alcançado pelo pelotão. Enquanto vários ciclistas tentavam a sorte de formar a fuga do dia, Mark Cavendish (Omega) tem um pneu furado a cerca de 50km do fim, fazendo a Omega diminuir o ritmo na frente do pelotão. Uma fuga mais duradoura finalmente se forma com David Millar (Garmin), Juan Antonio Flecha (Vacansoleil), Julien El Fares (Sojasun) e Cameron Meyer (Orica), esses dois últimos por algum tempo, sem conseguir seguir o forte ritmo de Flecha. A dupla hispano-escocesa consegue abrir 20 segundos do pelotão.

No sprint intermediário, Flecha fica com os 20 pontos, seguido por Millar. Com a classificação por pontos já nas mãos de Peter Sagan, os sprinters guardaram forças para o final. A 30km do fim, o escocês segue sozinho e Flecha fica para o pelotão, que continuava a cerca de 20 segundos de distância. Aos 22km, Jérémy Roy (FDJ) lançou um ataque e logo alcançou Millar, que ficou para trás. Manuel Quinziato (BMC), Alejandro Valverde (Movistar) e Bram Tankink (Belkin) contra-atacam e logo também despacham Roy. No pelotão, Argos e Omega dividiam o trabalho de controlar a distância para a fuga. Entrando nos últimos 10km, a diferença dimiuía para 13 segundos.

O sino marca a última volta e o pelotão já se esticava com a velocidade imposta pela Sky, que trazia Froome para a segurança da marca de 3km, com forte presença da Saxo-Tinkoff logo atrás. Chegando ao Arco do Triunfo, a Lotto divide o pelotão vindo para direita, trazendo Greipel, com a Cannondale e Sagan pelo meio, deixando a Saxo na frente pela esquerda, onde estava a Sky. Após o Arco, a Omega domina do lado direito, para ter preferência na curva que entra na praça da Concórdia, a 2km do fim. A equipe de Cavendish ainda tinha 5 companheiros para trazer o britânico, com Sylvain Chavanel à frente. Após a praça, a Argos surge do lado esquerdo, o lado das duas curvas em sequência antes e após o túnel.

Saindo do túnel, Michal Kwiatkowski (Omega) ditava o ritmo na frente, com um atleta da Cannondale no meio do trem da Omega. Sagan seguia firme na roda de Cavendish. Na última curva a Argos assume a ponta, com Kittel, Greipel e Cavendish em sequencia atrás de Koen De Kort (Argos). Kittel lançou primeiro o sprint e abriu uma considerável vantagem para Greipel, que acelerou e tentou passar pela esquerda de Kittel, com Cavendish seguindo pela direita. Os três cruzam a linha de chegada muito próximos, mas Kittel consegue manter a velocidade e, ajudado pela vantagem de quando abriu o sprint, ganha a etapa por uma roda de vantagem. Greipel fica com o 2º lugar e Mark Cavendish completa o pódio. Peter Sagan, campeão por pontos, chega em 4º. O brasileiro Murilo Fischer (FDJ) consegue o 10º lugar. 43 segundos depois, os ciclistas da Sky cruzam a linha de chegada abraçados, com Chris Froome no centro.

Tweets do Dia

 

Resultados

Marcel Kittel confirma sua condição de melhor sprinter em chegadas em massa do Tour com 4 vitórias e entra para a galeria de vencedores no Champs-Élysées, que inclui nomes como Mark Cavendish,  Djamolidine Abdoujaparov e Bernard Hinault.

Classificação da etapa

  1. Marcel Kittel (Ger) Team Argos-Shimano   03:06:14
  2. André Greipel (Ger) Lotto Belisol
  3. Mark Cavendish (GBr) Omega Pharma-Quick Step
  4. Peter Sagan (Svk) Cannondale Pro Cycling
  5. Roberto Ferrari (Ita) Lampre-Merida
  6. Alexander Kristoff (Nor) Katusha
  7. Kévin Reza (Fra) Team Europcar
  8. Yohann Gene (Fra) Team Europcar
  9. Daniele Bennati (Ita) Team Saxo-Tinkoff
  10. Murilo Antonio Fischer (Bra) FDJ.fr

Classificação geral

  1. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    83:56:40
  2. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    00:04:20
  3. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    00:05:04
  4. Alberto Contador Velasco (Spa) Team Saxo-Tinkoff    00:06:27
  5. Roman Kreuziger (Cze) Team Saxo-Tinkoff    00:07:27
  6. Bauke Mollema (Ned) Belkin Pro Cycling Team    00:11:42
  7. Jakob Fuglsang (Den) Astana Pro Team    00:12:17
  8. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team     00:15:26
  9. Daniel Navarro Garcia (Spa) Cofidis, Solutions Credits    00:15:52
  10. Andrew Talansky (USA) Garmin-Sharp    00:17:39

Classificação por pontos

  1. Peter Sagan (Svk) Cannondale Pro Cycling    409
  2. Mark Cavendish (GBr) Omega Pharma-Quick Step    312
  3. André Greipel (Ger) Lotto Belisol    267
  4. Marcel Kittel (Ger) Team Argos-Shimano    222
  5. Alexander Kristoff (Nor) Katusha    177
  6. Juan Antonio Flecha Giannoni (Spa) Vacansoleil-DCM Pro Cycling Team    163
  7. Jose Joaquin Rojas Gil (Spa) Movistar Team    156
  8. Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step    110
  9. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    107
  10. Christophe Riblon (Fra) AG2R La Mondiale    104

Classsificação de montanhas

  1. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    147
  2. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    136
  3. Pierre Rolland (Fra) Team Europcar    117
  4. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    99
  5. Christophe Riblon (Fra) AG2R La Mondiale    98
  6. Mikel Nieve Ituralde (Spa) Euskaltel-Euskadi    98
  7. Moreno Moser (Ita) Cannondale Pro Cycling    72
  8. Richie Porte (Aus) Sky Procycling    72
  9. Ryder Hesjedal (Can) Garmin-Sharp    64
  10. Tejay van Garderen (USA) BMC Racing Team    63

Classificação dos jovens

  1. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    84:01:00
  2. Andrew Talansky (USA) Garmin-Sharp    00:13:19
  3. Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step    00:14:39
  4. Romain Bardet (Fra) AG2R La Mondiale    00:22:22
  5. Tom Dumoulin (Ned) Team Argos-Shimano    01:30:10

Classificação das equipes

  1. Team Saxo-Tinkoff    251:11:07
  2. Ag2R La Mondiale    00:08:28
  3. RadioShack Leopard    00:09:02
  4. Movistar Team    00:22:49
  5. Belkin Pro Cycling    00:38:30

Ciclista mais combativo (Geral): Christophe Riblon (Fra) AG2R La Mondiale

Próxima edição

Aproveitando a alta popularidade do ciclismo no Reino Unido, em 2014 as três primeiras etapas serão na Inglaterra, começando em 5 de julho. A caravana do Tour terá dois dias em Yorkshire e a 3ª etapa será entre Cambridge e Londres, terminando na avenida “The Mall”, próxima ao Palácio de Buckingham.

Tour de France – 20ª etapa – Annecy – Annecy-Semnoz

Último show dos escaladores

Dia de definição. Apesar de Froome, Quintana e Sagan terem praticamente garantido respectivamente as classficações geral, de jovens e de pontos, vários outros critérios estão em aberto. A curta etapa de apenas 125km parte de Annecy, às margens do lago de mesmo nome, e faz quase um circuito até à montanha de La Semnoz.

Annecy-Semnoz

O percurso

Hoje os ciclistas terão um perfil reverso e um pouco menos difícil que o de ontem, com montanhas menores no começo até o final na montanha fora de categoria de Annecy-Semnoz. Apesar de montanhas menores, a curta distância promete uma etapa explosiva, especialmente com 5 ciclistas separados por apenas 11 pontos nas montanhas e 71 pontos disponíveis hoje. A apenas 33km do início, o sprint intermediário fica em Le Châtelard.

  • Côte du Puget (cat-2, 5,4km, 5,9%)
  • Col de Leschaux (cat-3, 3,6km, 6,1%)
  • Côte d’Aillon-le-Vieux (cat-3, 3,4km, 6,9%)
  • Mont Revard (cat-1, 15,9km, 5,6%)
  • Annecy-Semnoz (sem categoria, 10,7km, 8,5%).

Perfil da 20ª etapa.

Apesar de relativamente curta, com “apenas” 10km, Annecy-Semnoz é bastante íngreme, com média de 8,5% e apenas um trecho de 1km abaixo de 8% nos últimos 9km.

Perfil de Annecy-Semnoz.

Como começou

Pierre Rolland (Europcar) foi o primeiro a atacar, de olho nos pontos das primeiras montanhas para ultrapassar Froome na classificação de montanhistas. Logo se juntam a ele Jens Voigt (RadioShack), Marcus Burghardt (BMC) e Juan Antonio Flecha (Vacansoleil), sendo seguidos por um grupo de 6 ciclistas. Logo a fuga na frente já abria mais de 1 minuto para o pelotão.

Na primeira montanha, Col du Puget, Rolland ficou com os pontos e virtualmente passando à frente de Chris Froome (Sky) entre os montanhistas. Pouco depois, as duas fugas se unem, com o pelotão a apenas 1:27. A Movistar assume a liderança do pelotão para controlar essa distância, seguida pela Sky e Saxo-Tinkoff. Nairo Quintana (Movistar) está bem colocado na classificação de montanhas e é interesse da equipe evitar que a fuga chegue até o final para o colombiano conquistar os pontos da chegada. Na montanha seguinte, Igor Anton (Euskaltel) passa à frente de Rolland e fica com 2 pontos contra 1 do francês. O espanhol trabalha para o companheiro Mikel Nieve, que assim como Quintana está de olho nas montanhas do final da etapa.

Juan Antonio Flecha (Vacansoleil) vence o sprint intermediário na fuga, com André Greipel (Lotto), Mark Cavendish (Omega) e Peter Sagan (Cannondale) liderando o pelotão. Sagan começou a etapa com uma mais que confortável vantagem de 102 pontos para Cavendish e só precisa se preocupar em terminar as duas etapas restantes para conquistar sua segunda Maillot Vert. A 82km do fim, a Movistar mantinha a diferença a pouco menos de 1 minuto.

Col d’Aillon-le-Vieux, terceira montanha do dia, deu mais 2 pontos para Pierre Rolland e 1 ponto para Christophe Riblon (Ag2R). Na montanha seguinte, Col des Prés, Rolland partiu para o sprint e venceu novamente, mas praticamente empurrou Anton para o público, forçando o espanhol a frear para evitar um acidente. Apesar disso, a direção não aplicou nenhuma punição e Rolland ficou com os 2 pontos.

Grandes montanhas e o dia de Voigt

Na metade da etapa, a fuga começa a escalar o Mont Revard, de categoria 1, com o pelotão ainda 1:00 atrás. Voigt aumenta o ritmo e Rolland é um dos que ficam para trás, junto com Anton. Cyril Gautier (Europcar) então volta para ajudar Rolland. No pelotão, a dupla da BMC, Tejay Van Garderen e Philippe Gilbert, atacam. Pouco depois, Voigt deixou todos da fuga para trás e seguiu sozinho na frente, abrindo 1:50 do pelotão e cerca de 40 segundos do grupo de Rolland. Aos 56km do fim, Van Garderen e Gilbert alcançam o grupo de Rolland, que também tinha Marcus Burghardt da BMC, a 1:20 de Voigt. O alemão de 41 anos conquista o Mont Revard com pouco mais de 3 minutos para o pelotão. Anton foi o segundo, se aproximando um pouco de Voigt a 38 segundos mas vindo a ser alcançado pela fuga pouco depois. Após essa montanha, Rolland tinha uma vantagem virtual de 15 pontos para Froome na classificação de montanhas. Com 50 pontos na última montanha, a disputa ainda estava bastante aberta.

Durante a longa descida até Montcel, a 31km do final, Roman Kreuziger (Saxo-Tinkoff), 4º na geral, fura o pneu pela segunda vez na etapa e fica para trás. A Saxo então mandou 2 atletas para ajudá-lo a voltar para o pelotão. A 28km do fim, o pelotão começava a reduzir a diferença para Voigt, agora em 3:04. O grupo de Rolland/Anton/Van Garderen seguia a 1:50. A 20km do fim, Voigt ainda lutava, mantendo a diferença pouco abaixo dos 3:00.

Annecy-Semnoz

Já próximo do começo da montanha, a Sky passa à frente do pelotão para proteger Froome das divisórias que aparecem na pista, a 2 minutos de Voigt. A fuga começa a se desmanchar e à medida que alguns atletas são alcançados pelo pelotão os carros que acompanhavam a fuga param, atrapalhando o pelotão e abrindo alguns espaços, que logo são fechados. No começo da montanha, o forte ritmo da Sky havia pulverizado a diferença para 1:13. O principal adversário de Quintana, Michal Kwiatkowski (Omega), já ia ficando para trás. Na fuga, Rolland, Van Garderen e um atleta da Sojasun foram os últimos a serem alcançados pelo grupo de Froome, liderado por Rui Costa (Movistar). O ritmo do portugues diminui o grupo de Froome para pouco mais de 10 ciclistas apenas 1km depois do começo da montanha, incluindo Richie Porte (Sky), Froome, Quintana, Alberto Contador e Kreuziguer (Saxo-Tinkoff), Valverde, Joaquim Rodriguez (Katusha) e outros. Bauke Mollema (Belkin) e Jakob Fuglsang (Astana) eram alguns dos que não conseguiam acompanhar. Rui Costa fica e Valverde assume o ritmo, que Kreuziger tem dificuldade para acompanhar e também fica para trás.

A 8,5km do fim, Voigt finalmente é alcançado, com Porte assumindo a frente do grupo por uns instantes. Rodriguez logo ataca, seguido por Quintana. Froome lança um ataque impressionante e passa facilmente pelos dois, mas é alcançado por eles pouco depois. Contador, Valverde e Porte ficam sem resposta para os dois ataques. Os três líderes então seguem à frente, com Purito fazendo a maior parte do trabalho. A 5,4km, Contador perdia 47 segundos para os líderes. O espanhol havia sido alcançado por Kreuziger, que ditava o ritmo com Porte “descansando” atrás. Valverde seguia 38 segundos atrás de Froome.

Nos últimos 4km, Rodriguez ainda ditava o ritmo para se distanciar de Contador e garantir um lugar no pódio. Entre Froome e Quintana, quem ganhasse a etapa levaria a classificação das montanhas. 3km para o fim e o grupo de Froome já abria mais de 1:30 para Contador. Alguns torcedores mais exaltados se aproximam demais de Froome e levaram um merecido tapa do britânico para abrir caminho. Mais atrás, Andrew Talansky (Garmin) alcança o grupo de Contador de olho na classificação geral. Dentro da marca de 2km para a chegada os líderes têm a rápida companhia de um Chewbacca…

Entrando no quilômetro final, Froome ataca, com Quintana respondendo. Quando os três de juntam novamente, Quintana ataca e abre uma ótima vantagem, sem resposta de Froome e Rodriguez, enquanto Contador perdia 2 minutos. Joaquim “Purito” Rodriguez então atacou, abrindo de Froome, que parecia se conformar com o 3º lugar. Quintana olha para trás, abre um discreto sorriso e vence a penúltima etapa do Tour 2013, garantindo a camisa branca dos jovens e a camisa de bolinhas dos escaladores.

Rodriguez chega em 2º, a 18 segundos de Quintana. Froome passa 11 segundos depois. Valverde chega em 4º, a 1:42, com Richie Porte chegando em 5º após atacar e se distanciar de Contador, chegando a 2:17.

Tweets do Dia

Resultados

Nairo Quintana sai dessa etapa como o grande vencedor do dia. Além da etapa, conquistou a classificação entre os jovens e a classificação de montanhas, repetindo o feito dos compatriotas Mauricio Soler em 2007 e Santiago Botero em 2000, quando ganharam a camisa de bolinhas nas suas primeiras participações no Tour. Joaquim Rodriguez também conseguiu uma recuperação incrível, garantindo um lugar no pódio em Paris. Andrew Talansky foi outro que cresceu na última semana, conseguindo ficar entre os 10 primeiros na classificação geral e desbancar Michal Kwiatkowski para o 2º lugar entre os jovens.

Classificação da etapa

  1. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    3:39:04
  2. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    00:00:18
  3. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    00:00:29
  4. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    00:01:42
  5. Richie Porte (Aus) Sky Procycling    00:02:17
  6. Andrew Talansky (USA) Garmin-Sharp    00:02:27
  7. Alberto Contador Velasco (Spa) Team Saxo-Tinkoff    00:02:28
  8. John Gadret (Fra) AG2R La Mondiale    00:02:48
  9. Jesus Hernandez Blazquez (Spa) Team Saxo-Tinkoff    00:02:55
  10. Roman Kreuziger (Cze) Team Saxo-Tinkoff

Classificação geral

  1. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    80:49:33
  2. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    00:05:03
  3. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    00:05:47
  4. Alberto Contador Velasco (Spa) Team Saxo-Tinkoff    00:07:10
  5. Roman Kreuziger (Cze) Team Saxo-Tinkoff    00:08:10
  6. Bauke Mollema (Ned) Belkin Pro Cycling Team    00:12:25
  7. Jakob Fuglsang (Den) Astana Pro Team    00:13:00
  8. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team     00:16:09
  9. Daniel Navarro Garcia (Spa) Cofidis, Solutions Credits    00:16:35
  10. Andrew Talansky (USA) Garmin-Sharp    00:18:22

Classificação por pontos

  1. Peter Sagan (Svk) Cannondale Pro Cycling    383
  2. Mark Cavendish (GBr) Omega Pharma-Quick Step    282
  3. André Greipel (Ger) Lotto Belisol    232
  4. Marcel Kittel (Ger) Team Argos-Shimano    177
  5. Alexander Kristoff (Nor) Katusha    157
  6. Jose Joaquin Rojas Gil (Spa) Movistar Team    156
  7. Juan Antonio Flecha Giannoni (Spa) Vacansoleil-DCM Pro Cycling Team    143
  8. Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step    110
  9. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    107
  10. Christophe Riblon (Fra) AG2R La Mondiale    104

Classsificação de montanhas

  1. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    147
  2. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    136
  3. Pierre Rolland (Fra) Team Europcar    119
  4. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    99
  5. Christophe Riblon (Fra) AG2R La Mondiale    98
  6. Mikel Nieve Ituralde (Spa) Euskaltel-Euskadi    98
  7. Moreno Moser (Ita) Cannondale Pro Cycling    72
  8. Richie Porte (Aus) Sky Procycling    72
  9. Ryder Hesjedal (Can) Garmin-Sharp    64
  10. Tejay van Garderen (USA) BMC Racing Team    63

Classificação dos jovens

  1. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    80:54:36
  2. Andrew Talansky (USA) Garmin-Sharp    00:13:19
  3. Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step    00:14:39
  4. Romain Bardet (Fra) AG2R La Mondiale    00:22:22
  5. Tom Dumoulin (Ned) Team Argos-Shimano    01:30:10

Classificação das equipes

  1. Team Saxo-Tinkoff    241:52:05
  2. Ag2R La Mondiale    00:08:30
  3. RadioShack Leopard    00:08:52
  4. Movistar Team    00:22:45
  5. Belkin Pro Cycling    00:38:26

Ciclista mais combativo: Jens Voigt (Ger) RadioShack Leopard

Próxima etapa

Dia de despedidas. A caravana do Tour segue para Paris, percorrendo 133km entre Versailles e a cidade luz, com a etapa acontecendo ao anoitecer. Com todas as classificações praticamente definidas, hora de comemorar essa edição e curtir a última batalha entre Sagan, Greipel, Cavendish e Kittel.

Perfil da 21ª etapa.

Tour de France – 19ª etapa – Bourg-d’Oisans – Le Grand-Bornand

Ressaca pós-Alpe-d’Huez

Após o pesado estágio de ontem, hoje os ciclistas terão mais um dia nos Alpes, tão ou mais difícil que o de ontem. Partindo de Le Bourg-d’Oisans, aos pés do Alpe-d’Huez, os ciclistas enfrentarão muitas montanhas até alcançar Le Grand-Bornand, uma comuna que funciona como estação de lazer no verão e estação de esqui no inverno.

Col du Glandon

O percurso

O trajeto de hoje é praticamente uma repetição do trajeto da 17ª etapa de 2004, vencida por Lance Armstrong à frente de Andreas Klöden. Começando com duas montanhas fora de categoria, os ciclistas terão três montanhas, 2 categoria 1 e 1 categoria 2, no último terço da prova. O final é uma rápida descida até Le Grand-Bornand.

  • Col du Glandon (sem categoria, 21,6km, 5,1%)
  • Col de la Madeleine (sem categoria, 19,2km, 7,9%)
  • Col de Tamié (categoria 2, 8,6km, 6,2%)
  • Col de l’Épine (categoria 1, 6,1km, 7,3%)
  • Col de la Croix Fry (categoria 1, 11,3km, 7%)

Perfil da 19ª etapa.

Como começou

Logo após a bandeirada, como de costume vários ataques tentavam forma a fuga do dia, com Jon Izaguirre (Euskaltel) e Lars Bak (Lotto) entre os primeiros a atacar. Na subida para o Col du Giandon, primeira montanha fora de categoria do dia, um grande grupo de 39 atletas abre mais de 1 minuto do pelotão mas vários atletas ainda atacaram tentando alcançar esse grupo. Um pouco mais à frente, Ryder Hesjedal (Garmin) e Izaguirre lideravam. Entre os atletas do segundo grupo estava Christophe Riblon (Ag2R), vencedor da etapa passada. Durante a subida, a dupla da frente abria 2:40 para a grande fuga e 5:55 para o pelotão. No topo da montanha, Hesjedal fica com os 25 pontos de líder. Na fuga, Riblon, vestido com a camisa de montanhista e 3º colocado nesse quesito, conquista o 3º lugar da montanha.

Na descida, problemas para a Garmin. Jack Bauer (não o do seriado 24) caiu com o rosto em uma cerca de arame farpado e foi forçado a abandonar o Tour. Depois da etapa a equipe emitiu um comunicado informando que felizmente nada de mais grave aconteceu. Ainda descendo, Mark Cavendish (Omega) e alguns companheiros atacam, tentando ganhar algum tempo para não ficarem para trás logo no começo da montanha.

Subindo a Col de la Madeleine, Rolland ataca de um grupo intermediário em direção aos dois líderes, que já não estavam juntos uma vez que Hesjedal também aumentou o ritmo e deixando Izaguirre para trás. A grande fuga também vai se desmanchando, com alguns atletas ficando para trás. No pelotão, Cadel Evans (BMC), ia repetindo de certa forma a atuação de 2010 e ficando para trás na mesma montanha, quando perdeu a Maillot Jaune. A diferença é que em 2010 ele havia caído na etapa anterior e correu com o cotovelo fraturado, vindo a “quebrar” na Madeleine. Pouco antes do topo, Rolland alcançou Hesjedal e atacou para os pontos da montanha, com o canadense logo em seguida. No grupo perseguidor, que já havia alcançado Izaguirre, Nieve fica com o 3º lugar na montanha, a 4:00 de Rolland. Ele e Rolland tentam voltar a vestir a camisa de melhor escalador, algo que já experimentaram antes nessa edição. Nesse momento, o pelotão vinha a longos 12:00 de Rolland.

Na segunda grande descida do dia, Marcel Sieberg (Lotto) abandona após uma queda. A Saxo-Tinkoff começa a ditar o ritmo do pelotão para controlar a distância para as fugas e defender sua liderança na classificação por equipes. A RadioShack, 3ª colocada, tem vários atletas na frente e é uma ameaça para a equipe dinamarquesa. Hesjedal vence o sprint intermediário à frente de Rolland. Na fuga, José Joaquim Rojas (Movistar) fica com o 3º lugar.

Com o início da 3ª montanha, Col de Taimé, Rolland deixa Hesjedal para trás e segue sozinho para conquistar os pontos. O canadense logo é alcançado pela fuga, que deixa mais 4 atletas para trás. A 45km do fim, já na próxima montanha, Col de Épine, a diferença de Rolland para a fuga cai para 1:15. O pelotão ainda vinha com a Saxo-Tinkoff à frente diminuindo a distância e diminuindo o próprio pelotão, que ia deixando atletas pelo caminho. Até mesmo a Sky, do líder Chris Froome, era uma das equipes que perdia atletas.

Chuvas e repeteco da 16ª etapa, mas sem quedas

Seguindo para a última montanha do dia, Col de la Croix Fry, começava a aparecer indícios de uma chuva forte, que já afetava a região da chegada. Durante a última subida, a chuva cai com força sobre o pelotão mas bem fraca sobre Rolland, ainda bem à frente. Na fuga, vários ataques se formam para alcançar Rolland. Em um desses ataques, Rui Costa (Movistar) se destaca e logo alcança Rolland. Costa, menos cansado, despacha o francês com facilidade e segue sozinho para conquistar a montanha. No pelotão, Alejandro Valverde (Movistar) ataca, trazendo John Gadret (Ag2R) com ele. Joaquim Rodriguez (Katusha) pouco depois ataca, trazendo Alberto Contador (Saxo-Tinkoff), Nairo Quintana (Movistar) e Froome, logo alcançando Valverde, que passa a ditar o ritmo por algum tempo. Quintana ataca, diminuindo o grupo para apenas Valverde, Froome, Contador, Rodriguez e Gadret.

Andreas Klöden (RadioShack) é o próximo a passar pela montanha após o português, com uma pequena vantagem para um grupo com Daniel Navarro (Cofidis), Jan Bakelants (RadioShack) e Alexandre Geniez (FDJ). Apesar da chuva, a descida é relativamente simples, e Rui Costa tem tempo para dar um tapinha na mão do motorista do carro da equipe, para comemorar sua segunda vitória na 100ª edição no Tour, após a primeira, na 16ª etapa. Assim como em 2004, Kloden fica com a segunda colocação, e seu companheiro Bakelants ganhando de Geniez num sprint final. O grupo de Froome chega 8:40, com alguns outros atletas se juntando a ele.

Tweets do Dia

Resultados

Classificação da etapa

  1. Rui Alberto Faria Da Costa (Por) Movistar Team    05:59:01
  2. Andreas Klöden (Ger) RadioShack Leopard    00:00:48
  3. Jan Bakelants (Bel) RadioShack Leopard    00:01:44
  4. Alexandre Geniez (Fra) FDJ.fr    00:01:52
  5. Daniel Navarro Garcia (Spa) Cofidis, Solutions Credits    00:01:55
  6. Bart De Clercq (Bel) Lotto Belisol    00:01:58
  7. Robert Gesink (Ned) Belkin Pro Cycling Team    00:02:03
  8. Alessandro De Marchi (Ita) Cannondale Pro Cycling    00:02:05
  9. Mikel Nieve Ituralde (Spa) Euskaltel-Euskadi    00:02:16
  10. Ruben Plaza Molina (Spa) Movistar Team    00:02:44

Classificação geral

  1. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    77:10:00
  2. Alberto Contador Velasco (Spa) Team Saxo-Tinkoff    00:05:11
  3. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    00:05:32
  4. Roman Kreuziger (Cze) Team Saxo-Tinkoff    00:05:44
  5. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    00:05:58
  6. Bauke Mollema (Ned) Belkin Pro Cycling Team    00:08:58
  7. Jakob Fuglsang (Den) Astana Pro Team    00:09:33
  8. Daniel Navarro Garcia (Spa) Cofidis, Solutions Credits    00:12:33
  9. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    00:14:56
  10. Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step    00:16:08

Classificação por pontos

  1. Peter Sagan (Svk) Cannondale Pro Cycling    380
  2. Mark Cavendish (GBr) Omega Pharma-Quick Step    278
  3. André Greipel (Ger) Lotto Belisol    227
  4. Marcel Kittel (Ger) Team Argos-Shimano    177
  5. Alexander Kristoff (Nor) Katusha    157
  6. Jose Joaquin Rojas Gil (Spa) Movistar Team    155
  7. Juan Antonio Flecha Giannoni (Spa) Vacansoleil-DCM Pro Cycling Team    123
  8. Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step    110
  9. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    92
  10. Daryl Impey (RSA) Orica-GreenEdge    91

Classsificação de montanhas

  1. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    104
  2. Pierre Rolland (Fra) Team Europcar 103
  3. Mikel Nieve Ituralde (Spa) Euskaltel-Euskadi 98
  4. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    97
  5. Christophe Riblon (Fra) AG2R La Mondiale    93
  6. Moreno Moser (Ita) Cannondale Pro Cycling    72
  7. Ryder Hesjedal (Can) Garmin-Sharp    64
  8. Tejay van Garderen (USA) BMC Racing Team    62
  9. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    59
  10. Richie Porte (Aus) Sky Procycling    48

Classificação dos jovens

  1. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    77:15:32
  2. Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step    00:10:36
  3. Andrew Talansky (USA) Garmin-Sharp    00:10:52
  4. Romain Bardet (Fra) AG2R La Mondiale    00:19:21
  5. Tom Dumoulin (Ned) Team Argos-Shimano    01:18:11

Classificação das equipes

  1. Team Saxo-Tinkoff    230:46:35
  2. RadioShack Leopard    00:03:59
  3. Ag2R La Mondiale    00:07:37
  4. Movistar Team    00:15:51
  5. Belkin Pro Cycling    00:29:24

Ciclista mais combativo: Pierre Rolland (Fra) Team Europcar

Próxima etapa

Último dia das montanhas. Uma etapa bastante curta, de apenas 125km, mas com muitas montanhas e um final em montanha fora de categoria. Apesar de Froome já estar com uma excelente vantagem na classificação geral, a disputa pelo 2º lugar está bastante apertada, com 4 ciclistas separados por apenas 47 segundos. Na classificação de montanhas, Froome e Rolland estão separados por apenas 1 ponto e as montanhas de amanhã darão no total 71 pontos, incluindo 50 para o vencedor da etapa.

Perfil da 20ª etapa.

Tour de France – 18ª etapa – Gap – Alpe-d’Huez

Infinitos cotovelos

Primeiro dos 3 dias seguidos nas grandes montanhas dos Alpes. Hoje os ciclistas partem de Gap rumo ao mítico Alpe-d’Huez, escalando-o duas vezes. Gap foi o destino da 16ª etapa, que teve um final conturbado. O Alpe-d’Huez pode até não ser tão dura quanto o Mont Ventoux ou o Galibier, o qual normalmente inclui o Col du Telégraphe, mas é, com seus 21 cotovelos, sem dúvida a montanha mais famosa do Tour de France.

Alpe-d’Huez

O percurso

Depois do contra-relógio de ontem, hoje os ciclistas terão 172 km pela frente com algumas montanhas médias até chegarem no Alpe-d’Huez pela primeira vez. Após essa primeira escalada, os ciclistas subirão a precária Col de Sarenne mais adiante e depois descendo para voltar para a segunda e final escalada do Alpe-d’Huez. O sprint intermediário fica logo antes da primeira passagem pelo Alpe, em Bourg d’Oisans. As montanhas de hoje:

  • Col de Manse (cat-2, 6,6km, 6,2%) aos 13km
  • Rampe du Motty (cat-3, 2,4km, 8%) aos 45km
  • Col d’Ornon (cat-2, 5,1km, 6,7%)  82,5km do final
  • Alpe-d’Huez, 1ª passagem (sem categoria, 12,3km, 8,4%) faltando 68km
  • Col de Sarenne (cat-2, 3km, 7,8%) faltando 38km
  • Alpe-d’Huez, 2ª passagem (sem categoria, 13,8km, 8,1%) faltando 18km

Perfil da 18ª etapa.

Uma dúvida que pairou até antes da etapa era se a descida após a Col de Sarenne seria cancelada devido às condições da pista, visivelmente precárias. Mas a ASO confirmou que o percurso seguiria normalmente, uma vez que a pista secou à medida que a prova corria.

Como começou

Johnny Hoogerland (Vacansoleil) foi o primeiro a atacar, seguido por vários atletas. Movistar e Saxo-Tinkoff, principais adversárias da Sky, também lançavam ataques, forçando respostas de Froome e seus colegas. Por alguns instantes, Froome pareceu até mesmo isolado no grupo da frente. Um grupo de 9 atletas ganha uma boa vantagem após o topo da Col de Manse, que é conquistada por Ryder Hesjedal (Garmin). Nele estavam Tejay Van Garderen (BMC), Sylvain “wait for it” Chavanel (Omega), Arnold Jeanneson (FDJ), Christophe Riblon (Ag2R), Andrey Amador (Movistar), Thomas Danielson (Garmin), Jens Voigt (RadioShack), Lars Boom (Belkin) e Moreno Moser (Cannondale). Quando o ritmo finalmente fica calmo, dois atletas da Saxo-Tinkoff, Nicolas Roche e Sergio Paulinho, atacam formando uma fuga intermediária. Na segunda montanha, Ramp du Motty, Danielson lidera a fuga ficando com os 2 pontos. No pelotão, Alexey Lutsenko (Astana) abandona, deixando a equipe cazaque com apenas cinco ciclistas.

Na última montanha média do dia, Col de Ormon, Jeanneson passa à frente de Chavanel e Voigt, ficando com os 5 pontos. Enquanto isso alguns atletas como André Greipel (Lotto) já começavam a ter dificuldade atrás do pelotão na mesma montanha. Logo após o topo a fuga tinha cerca de 8:30 de vantagem para o pelotão liderado pela Sky e 5:40 para a dupla da Saxo.

Descendo para o sprint intermediário, ataques dividem a fuga, com Riblon, Van Garderen, Chavanel, Moser e Boom abrindo boa vantagem e sem disputar o sprint. No começo do Alpe-d’Huez, os dois grupos se unem novamente. Quando o pelotão passa pelo sprint, a Cannondale forma um grande trem para Sagan mas é Greipel que fica passa na frente.

Olá, Alpe-d’Huez

Já no Alpe-d’Huez, Paulinho deixa Roche para trás e segue sozinho. Na frente, Van Garderen ataca e apenas Riblon consegue acompanhar por alguns momentos, com muita dificuldade. Logo o americano abre uma boa vantagem para o francês. No pelotão, a Sky permanece à frente com 4 atletas protegendo Froome. A 53km do fim, o americano havia aumentado a vantagem para 8:20, após ter caído para cerca de 7:40 no começo da montanha. Atrás, Riblon seguida a pouco mais de 20 segundos e Moser, Voigt e Danielson estavam a 40 segundos do americano.

Alpe-d’Huez e seus cotovelos.

No pelotão, Thomas Voeckler (Europcar) ataca, trazendo o companheiro Pierre Rolland, seguido por Laurent Didier (RadioShack) e Wout Poels (Vacansoleil). Após abrirem uma distância razoável, Mikel Nieve (Euskaltel), 3º na classificação de montanhas, também ataca. Pouco depois, Didier fica um pouco para trás. Na frente, Moser aumenta o ritmo e alcança Riblon, já vendo Van Garderen à frente. Após um longo turno na frente do grupo de Froome, Sitsou (Sky) cede para David Garcia Lopez (Sky).

O próximo a atacar no pelotão é Andy Schleck (RadioShack). Ainda no pelotão, Michal Kwiatkowski (Omega) fica para trás ainda na primeira subida do Alpe-d’Huez. Além dele, outro que estava entre os 10 primeiros e ficou para trás foi Daniel Martin (Garmin). Na frente, Moreno Moser e Riblon alcançam Van Garderen e o italiano sprinta para conquistar os pontos da montanha. Schleck logo alcança o grupo de Rolland e Nieve, passando a ditar o ritmo e deixando Voeckler para trás. Chegando ao topo da montanha, a vantagem do trio Moser, Riblon e Van Garderen ainda passava dos 8 minutos para o grupo de Froome. No grupo de Schleck, Nieve ataca para conseguir mais alguns pontos na montanha.

Col de Sarenne e o tiro del Pistolero

Enquanto isso, o grupo de Moser já estavam no caminho para a perigosa Col de Sarenne, com Jens Voigt perseguindo alguns segundos atrás. O visual da estrada contrasta completamente com o Alpe-d’Huez, com estradas estreitas, sem árvores nas laterais e um belo precipício esperando os mais afobados. Sem contar infinitamente menos público. Chegando à montanha, Moser foi ficando para trás, com Riblon e Van Garderen abrindo uma boa vantagem.

Topo da Col de Sarenne

Quando o pelotão chega a Col de Sarenne, Hesjedal ataca mas logo o campeão do Giro de 2012 é alcançado pelo pelotão que agora era liderado por um atleta da Movistar. Assim que o canadense é alcançado a Sky volta a liderar com Peter Kennaugh. Outro top10 que tem problemas no pelotão é Laurens Ten Dam (Belkin), que vai ficando para trás. Na frente, Van Garderen passa à frente de Riblon para ficar com os 5 pontos, mas durante a (realmente) perigosa descida o americano tem problemas com câmbio e fica para trás. Mais à frente, já na floresta, Riblon sai reto em uma curva fechada e para na vegetação do lado, mas sem cair. Com isso Moser, que havia sido deixado na Col de Sarenne, assume a liderança da prova.

O pelotão iniciou a descida e aparecem alguns poucos pingos de chuva na camera. Roman Kreuziger (Saxo) ataca e logo é alcançado por Alberto Contador (Saxo), que passa rapidamente pelos atletas da Sky. Os dois abrem rapidamente alguns segundos para o grupo de Froome. Na frente, Moreno Moser seguia sozinho, ainda descendo a 27km do final. Mais adiante, Riblon alcança Moser, com Van Garderen perseguindo 30 segundos atrás. O grupo de Froome vinha 7:45 depois, com Contador 20 segundos à frente. O grupo de Schleck permanecia a 6:15 atrás dos líderes. A 21km do fim, a Movistar aumenta o ritmo no grupo de Froome com vários atletas, logo fazendo Contador e Kreuziger serem alcançados. Após ser alcançado, Contador faz uma rápida troca de bicicleta na parte plana entre a descida e o recomeço da escalada, tendo que lutar para voltar à frente do pelotão com ajuda de Jesus Hernandez (Saxo).

Alpe-d’Huez v2, barras de energia e redenção gaulesa

Van Garderen, Riblon e Moser começam a segunda escalada com 7:21 de vantagem para o pelotão e assim que a subida começa Moser fica para trás, pedalando no seu ritmo. Na primeira subida ele executou a mesma estratégia e conseguiu alcançar Riblon e Van Garderen no final. Chegando à montanha, o grupo de Nieve e Schleck é alcançado, assim como Rolland e Poels.

O forte ritmo da Movistar vai pulverizando a distância para fuga, tirando 2 minutos e baixando para 5:15 ainda antes do grupo de Froome começar a montanha. A 12km do final, Van Garderen ataca, abrindo alguns segundos para Riblon. No começo da montanha, Valverde ataca e Froome fica com Porte à frente ditando o ritmo. A dupla da Belkin, Bauke Mollema e Laurens Ten Dam, vão ficando para trás.

A mais de 10km do fim Froome lançou um ataque e logo alcançou o grupo de Valverde, reunindo os dois grupos. Joaquim Rodriguez (Katusha) e Nairo Quintana (Movistar) respondem rapidamente ao ataque de Froome. Após o ataque restou um grupo de cerca de 10 atletas com Froome. Kreuziger paga o preço do trabalho na descida e fica para trás. Froome lançou outro ataque e abriu uma boa vantagem. Quintana responde e logo alcança o líder e os dois abrem uma boa vantagem, alcançado Jeannesson, um dos remanescentes da fuga. Na frente, Voigt alcança Moser enquanto Van Garderen segue sozinho. Entre os favoritos, Contador fica para trás junto com Porte e Valverde, com Rodriguez mais à frente alcançando Quintana e Froome.

Quintana aumenta o ritmo trazendo Froome e Rodriguez. Enquanto isso Contador é largado por Porte e Valverde. Purito ataca abrindo uma boa vantagem de Froome e Quintana, a 4 minutos de Van Garderen. Kreuziger alcança Contador, que perdia mais de 1 minuto para o grupo de Froome. Porte incrivelmente alcança o grupo de Froome e dita um forte ritmo, alcançando Rodriguez.

Froome gesticula para o carro várias vezes e Porte volta para pegar algum tipo de barra energética. Esse reabastecimento viria a penalisar os dois em 20 segundos cada, além de 1200 Francos suíços para a equipe (Cerca de R$2800,00). Quintana aproveita e ataca, abrindo uma boa vantagem e trazendo Rodriguez mas logo abrindo um pouco deste também. A 3km Van Garderen seguia na frente sofrendo muito mas Riblon vinha forte, baixando a diferença para cerca de 20 segundos.

A 2km do final Riblon alcança Van Garderen e ataca, rapidamente abrindo do americano. Atrás, Fuglsang ataca no grupo de Contador, que tenta responder a 1:30 de Froome, este seguindo a 30 segundos de Quintana e Rodriguez. Já proximo à chegada, Riblon olha para trás, fecha a camisa e comemora bastante a primeira vitória da França no Tour, no mítico Alpe-d’Huez!

Van Garderen chega em segundo, exausto, e Moreno Moser completa o pódio. Quintana e Rodriguez chegam em 4º e 5º. Froome, também exausto, chega dando um tapinha nas costas de Porte, a 3:18 de Riblon.

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Resultados

Finalmente a França subiu ao posto mais alto do pódio nessa edição. Nairo Quintana é outro grande vencedor do dia, subindo para a 3ª colocação na classificação geral, a 20 segundos de Contador, abrindo mais ainda de Michal Kwiatkowski entre os jovens e diminuindo a distância para Froome na classificação de montanhas. Joaquim Rodriguez também cresceu muito, ficando a apenas pouco mais de 20 segundos do 3º lugar. Apesar da quebra no final, Froome ainda abriu mais vantagem, uma vez que Contador perdeu tempo na última escalada. A Belkin, após duas boas semanas no início do Tour, quebrou e viu seus atletas despencarem.

Classificação da etapa

  1. Christophe Riblon (Fra) AG2R La Mondiale    4:51:32
  2. Tejay van Garderen (USA) BMC Racing Team    00:00:59
  3. Moreno Moser (Ita) Cannondale Pro Cycling    00:01:27
  4. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    00:02:12
  5. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    00:02:15
  6. Richie Porte (Aus) Sky Procycling    00:03:18
  7. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling
  8. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    00:03:22
  9. Mikel Nieve Ituralde (Spa) Euskaltel-Euskadi    00:04:15
  10. Jakob Fuglsang (Den) Astana Pro Team

Classificação geral

  1. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    71:02:19
  2. Alberto Contador Velasco (Spa) Team Saxo-Tinkoff    00:05:11
  3. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    00:05:32
  4. Roman Kreuziger (Cze) Team Saxo-Tinkoff    00:05:44
  5. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    00:05:58
  6. Bauke Mollema (Ned) Belkin Pro Cycling Team    00:08:58
  7. Jakob Fuglsang (Den) Astana Pro Team    00:09:33
  8. Michael Rogers (Aus) Team Saxo-Tinkoff    00:14:26
  9. Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step    00:14:38
  10. Laurens Ten Dam (Ned) Belkin Pro Cycling Team    00:14:39

Classificação por pontos

  1. Peter Sagan (Svk) Cannondale Pro Cycling    380
  2. Mark Cavendish (GBr) Omega Pharma-Quick Step    278
  3. André Greipel (Ger) Lotto Belisol    227
  4. Marcel Kittel (Ger) Team Argos-Shimano    177
  5. Alexander Kristoff (Nor) Katusha    157
  6. Jose Joaquin Rojas Gil (Spa) Movistar Team    145
  7. Juan Antonio Flecha Giannoni (Spa) Vacansoleil-DCM Pro Cycling Team    110
  8. Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step    110
  9. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    92
  10. Daryl Impey (RSA) Orica-GreenEdge    91

Classsificação de montanhas

  1. Christopher Froome (GBr) Sky Procycling    104
  2. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    97
  3. Christophe Riblon (Fra) AG2R La Mondiale    77
  4. Mikel Nieve Ituralde (Spa) Euskaltel-Euskadi    63
  5. Tejay van Garderen (USA) BMC Racing Team    62
  6. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    59
  7. Moreno Moser (Ita) Cannondale Pro Cycling    58
  8. Pierre Rolland (Fra) Team Europcar    51
  9. Richie Porte (Aus) Sky Procycling    48
  10. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    34

Classificação dos jovens

  1. Nairo Alexander Quintana Rojas (Col) Movistar Team    71:07:51
  2. Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step    00:09:06
  3. Andrew Talansky (USA) Garmin-Sharp    00:10:52
  4. Romain Bardet (Fra) AG2R La Mondiale    00:25:13
  5. Tejay Van Garderen (USA) BMC Racing Team    01:01:50

Classificação das equipes

  1. Team Saxo-Tinkoff    212:29:26
  2. Ag2R La Mondiale    00:06:05
  3. RadioShack Leopard    00:12:29
  4. Movistar Team    00:24:33
  5. Belkin Pro Cycling    00:28:37

Ciclista mais combativo: Christophe Riblon (Fra) AG2R La Mondiale

Próxima etapa

Outro dia pesadíssimo nos Alpes. Além de mais longo, com mais de 200km, o estágio já começa com duas montanhas fora de categoria. Após a última montanha, de categoria 1, uma rápida descida até Le Grand-Bornand. A 17ª etapa da edição de 2004 percorreu um trajeto praticamente igual, exceto pela penúltima montanha. Nesse dia Lance Armstrong lançou um sprint incrível para alcançar Andreas Kloden e ficar com a vitória.

Perfil da 18ª etapa.