Vuelta a España – Etapas 8-10

A Vuelta finalmente chega ao seu primeiro dia de descanso. Enquanto o Giro e Tour tiveram 9 etapas na primeira perna, a Vuelta esperou até a 10ª etapa. Após as etapas planas de transição, as três últimas etapas terminaram em montanhas duras para os ciclistas, com grandes mudanças na classificação geral.

Oitava etapa – O dia da convidada

Para a oitava etapa, os ciclistas tiveram um dia plano, mas com a dura Alto de Peñas Blancas no final, com quase 1000 metros de ganho vertical em pouco mais de 12 km. Neste ano a Vuelta conta com 3 equipes da “segunda” divisão, a Pro-Continental, como convidadas: A espanhola Caja Rural, a francesa Cofidis e a alemã NetApp-Endura, que faz sua segunda participação em grandes voltas após o Giro d’Italia de 2012.

Perfil da 8ª etapa.

Leopold Konig (NetApp) atacou próximo ao final e conseguiu a maior vitória de sua carreira e da equipe. Na classificação geral, Ivan Basso (Cannondale), Thibaut Pinot (FDJ), Nicolas Roche (Saxo-Tinkoff) e Dani Moreno (Katusha) conseguiram abrir alguns segundos dos favoritos Alejandro Valverde (Movistar), Vincenzo Nibali (Astana) e Joaquim Rodriguez (Katusha) enquanto perseguiam Konig.  Com isso, a camisa vermelha de líder passou para Roche.

Resultados

Nona etapa – A Flecha Espanhola

Uma das clássicas da primavera é a Flecha Valona, que acontece no sul da Bélgica e tradicionalmente termina no Mur de Huy (Muro de Huy), uma rampa de pouco mais de 1km e 10% de média, com trechos acima de 20%. Na nona etapa os ciclistas tiveram algo parecido, com a chegada em Valdepeñas de Jaén, que apesar de ter participado da Vuelta pela primeira vez em 2010 já se tornou uma queridinha da prova, com aparições em 2011 e 2013.

Perfil da 9ª etapa.

Apesar dos esforços da fuga um reduzido pelotão chegou ao início da montanha, já selecionado após a montanha Alto de los Frailes, próxima à chegada. Logo as fortes inclinações marcaram presença e Dani Moreno, vencedor da Flecha Valona em Abril, lançou um ataque que apenas Valverde e Rodriguez conseguiram responder, ainda assim chegando a alguns segundos de Moreno, que roubou a camisa vemelha de Roche.

Resultados

Décima etapa – O estatuto do idoso

A última etapa antes do descanso foi uma etapa relativamente longa para os padrões da Vuelta, de mais de 180km. Apesar do início sem montanhas categorizadas os últimos 36km contaram com uma montanha de 1ª categoria e uma montanha de categoria especial na chegada. No papel essa montanha não parecia tão dura, mas os últimos 8km em Alto de Hazallanas contam na maior parte com mais de 10% de inclinação e trechos de quase 20%.

Perfil da 10ª etapa.

Ainda durante a zona neutra um grande acidente aconteceu e entre os envolvidos estavam nomes importantes na classificação geral como Warren Barguil (Argos), revelação francesa, que perdeu mais de 20 minutos para os primeiros. 4 ciclistas não completaram a prova e 2 foram desclassificados por serem “rebocados” pelos carros de apoio de forma significativa.

O pequeno grupo que chegou aos pés da última montanha permaneceu unido até o começo de verdade da última subida, faltando pouco menos de 8km para o fim. Aos poucos um seleto grupo se formou com Nibali, Rodriguez, Basso, Valverde, Chris Horner (RadioShack) e Domenico Pozzovivo (Ag2R), com Pinot voltando pouco depois. A 4,6km do fim Horner lança um ataque forte, digno de comparações com o ataque de Froome na 8ª etapa do Tour. Apenas Nibali consegue responder, mas ainda assim muito tarde e o americano conquista sua segunda vitória nesta edição e uma boa vantagem na liderança da classificação geral.

Resultados

Classificações

Geral:

  1. Christopher Horner (USA) RadioShack Leopard    40:29:14
  2. Vincenzo Nibali (Ita) Astana Pro Team    00:00:43
  3. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    00:00:53
  4. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    00:01:02
  5. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    00:01:40
  6. Daniel Moreno Fernandez (Spa) Katusha    00:02:04
  7. Ivan Basso (Ita) Cannondale Pro Cycling    00:02:20
  8. Thibaut Pinot (Fra) FDJ    00:03:11
  9. Rafal Majka (Pol) Team Saxo-Tinkoff    00:03:16
  10. Domenico Pozzovivo (Ita) AG2R La Mondiale    00:03:28

Pontos

  1. Daniel Moreno Fernandez (Spa) Katusha    97pts
  2. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    81
  3. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    77
  4. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    61
  5. Christopher Horner (USA) RadioShack Leopard    58

Montanhas

  1. Christopher Horner (USA) RadioShack Leopard    18pts
  2. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    15
  3. Leopold Konig (Cze) Team NetApp-Endura    12
  4. Daniel Moreno Fernandez (Spa) Katusha    12
  5. Nicolas Edet (Fra) Cofidis, Solutions Credits    11

Combinação

  1. Christopher Horner (USA) RadioShack Leopard    7
  2. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    8
  3. Daniel Moreno Fernandez (Spa) Katusha    11
  4. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    14
  5. Vincenzo Nibali (Ita) Astana Pro Team    22

Próximas etapas

Na quarta feira os ciclistas enfretam o único contra-relógio individual dessa edição. Serão 38km em Tarazona, já no centro-norte do país, na comunidade autônoma de Aragão. Em seguida serão duas etapas planas antes de mais 3 dias duríssimos nas montanhas, incluindo o ponto mais alto da Vuelta, a Port d’ Envalira, a 2400 metros.

As esperanças espanholas de Valverde e Rodriguez parecem estar sentindo o peso do Tour, sem arriscar ataques mais fortes. Nibali também aparenta estar muito cauteloso, sem arriscar muito. Basso segue quieto, comendo pelas beiradas. Será que o vovô Horner resistirá na liderança? Será que Roche e Moreno sustentam a boa forma das etapas anteriores? Pinot está conseguindo escalar como no Tour de 2012, mas será que sobreviverá às descidas das etapas seguintes?

Vuelta a España – Etapas 4-7

A Vuelta a España continua a todo vapor, com a caravana dando as últimas voltas na Galícia e rumando à Andaluzia para as primeiras etapas de montanhas de verdade. Neste post, um resumo das 4 etapas de transição antes das próximas etapas de montanha.

Do sábado passado (31)  até segunda (2) os ciclistas estão tendo 2 etapas de montanha com uma etapa de montanhas médias entre elas. A cobertura delas estará num post separado ainda nesta segunda.

Quarta etapa – Rumo ao fim do mundo

Depois de bater na trave nas etapas anteriores, Daniel Moreno (Katusha) acertou o sprint e ganhou a etapa, com chegada em um dos pontos mais ocidentais da Espanha, também em subida (3 subidas nas 3 primeiras etapas da Vuelta…). Chris Horner (RadioShack) perdeu alguns segundos e a camisa vermelha voltou para Vincenzo Nibali (Astana).

Resultados

Quinta etapa – Finalmente um sprint

Depois de várias montanhas e morros, uma etapa acabou em um sprint. Michael Matthews (Orica) venceu após um ataque mal sucedido de Philippe Gilbert (BMC), atual campeão mundial e ainda sem vitórias desde quando conquistou esse título.

Resultados

Sexta etapa – Contra-relógio de 170km

Um dos nomes mais importantes da Omega Pharma-QuickStep e bi-campeão mundial de contra-relógio, Tony Martin atacou logo no início da prova e não teve nenhum companheiro de fuga, transformando a etapa num treinamento de luxo para o campeonato mundial. A diferença para o pelotão chegou a quase 8 minutos durante a etapa e caiu para menos de um minuto a 20km para o fim. O alemão sustentou a distância até poucos metros do fim, quando um pelotão liderado pelo rival Fabian Cancellara (RadioShack) o alcançou, dando a vitória a Michael Morkov (Saxo-Tinkoff). Martin ainda conseguiu o 7 lugar na etapa.

Resultados

Sétima etapa – “Fuga” vencendo

Última etapa plana antes das montanhas, a fuga original foi alcançada a poucos quilômetros do fim, quando Gilbert atacou, seguido pelo vencedor da Eneco Tour, Zdenek Stybar (Omega). A dupla aproveitou as rotatórias e curvas da chegada para manter a distância do pelotão. No final, Stybar conseguiu superar Gilbert por uma distância mínima, mantendo a “zica” do belga.

Resultados

Classificações

Geral:

  1. Vincenzo Nibali (Ita) Astana Pro Team    27:29:35
  2. Christopher Horner (USA) RadioShack Leopard    00:00:03
  3. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    00:00:08
  4. Haimar Zubeldia Agirre (Spa) RadioShack Leopard    00:00:16
  5. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    00:00:21
  6. Robert Kiserlovski (Cro) RadioShack Leopard    00:00:26
  7. Rigoberto Uran Uran (Col) Sky Procycling    00:00:28
  8. Daniel Moreno Fernandez (Spa) Katusha    00:00:31
  9. Rafal Majka (Pol) Team Saxo-Tinkoff    00:00:38
  10. Roman Kreuziger (Cze) Team Saxo-Tinkoff    00:00:42

Pontos

  1. Michael Matthews (Aus) Orica-GreenEdge    53pts
  2. Daniel Moreno Fernandez (Spa) Katusha    48
  3. Maximiliano Ariel Richeze (Arg) Lampre-Merida    40
  4. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    38
  5. Gianni Meersman (Bel) Omega Pharma-Quick Step    38

Montanhas

  1. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    11pts
  2. Nicolas Edet (Fra) Cofidis, Solutions Credits    8
  3. Daniel Moreno Fernandez (Spa) Katusha    6
  4. Winner Anacona Gomez (Col) Lampre-Merida    5
  5. Domenico Pozzovivo (Ita) AG2R La Mondiale    4

Combinação

  1. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    8
  2. Daniel Moreno Fernandez (Spa) Katusha    13
  3. Christopher Horner (USA) RadioShack Leopard    19
  4. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    19
  5. Joaquim Rodriguez Oliver (Spa) Katusha    42

Vuelta a España – Etapas 1-3

Primeira etapa – Ataque ítalo-cazaque

No último sábado (25/08) a 68ª edição da Vuelta a España teve início com um contra-relógio por equipes na região da Galícia, no noroeste do país. As equipes partiram de uma batea, que é uma plataforma usada na criação de mariscos/ostras, e enfrentaram um trajeto de 27,4km entre Vilanova de Arousa e Sanxenxo.

A Astana, do favorito Vincenzo Nibali, ficou à frente da RadioShack e Omega Pharma, que contavam com dois dos mais importantes contra-relogistas do mundo, Fabian Cancellara e Tony Martin, respectivamente. Janez Brajkovic, companheiro de Nibali, cruzou a linha de chegada à frente e foi o primeiro a vestir a camisa vermelha de líder no geral. Joaquim Rodriguez (Katusha), outro dos favoritos, perdeu quase um minuto.

Resultados

Segunda etapa – Favoritos pipocando

Diferente do Tour, que normalmente deixa as montanhas para o final da primeira semana em diante, já na segunda etapa da Vuelta os ciclistas tiveram uma chegada em montanha de 1ª categoria, no Alto do Monte da Groba, de 11km a 5,6%.

Nomes importantes como Samuel Sanchez (Euskaltel), Sergio Henao (Sky) e Carlos Betancur (Ag2R) foram alguns dos que ficaram pelo caminho, perdendo minutos importantes devido ao forte ritmo imposto pela Movistar. No caso de Betancur, ele chegou no gruppeto, a quase 10 minutos de Nicolas Roche (Saxo), vencedor do dia. Brajkovic também foi deixado para trás e Nibali vestiu a 2ª camisa de líder no geral.

Resultados

Terceira etapa – O que é que há, velhinho?

Depois da montanha da segunda etapa, mais uma chegada em subida, porém apenas um morro de 4km a cerca de 5-6%.

Próximo ao final os ventos do Atlântico e algumas quedas espalharam o caos no pelotão, com a Movistar ditando o ritmo contra Bauke Mollema (Belkin), que havia ficado num dos grupos atrás, devolvendo o que fizeram com Alejandro Valverde durante o Tour. Eventualmente o pelotão se reuniu novamente e Chris Horner (RadioShack) aproveitou um momento de hesitação entre os líderes para se isolar na frente e conquistar sua primeira vitória em uma grande volta aos 41 anos, além de vestir a 3ª camisa vermelha desta edição. Valverde e Rodriguez completaram o pódio, buscando recuperar o tempo perdido para Nibali.

Resultados

Classificações

Geral:

  1. Christopher Horner (USA) RadioShack Leopard    09:37:40
  2. Vincenzo Nibali (Ita) Astana Pro Team    00:00:03
  3. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    00:00:11
  4. Haimar Zubeldia Agirre (Spa) RadioShack Leopard    00:00:13
  5. Robert Kiserlovski (Cro) RadioShack Leopard    00:00:23
  6. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    00:00:24
  7. Rigoberto Uran Uran (Col) Sky Procycling    00:00:25
  8. Rafal Majka (Pol) Team Saxo-Tinkoff    00:00:35
  9. Daniel Moreno Fernandez (Spa) Katusha    00:00:44
  10. Roman Kreuziger (Cze) Team Saxo-Tinkoff    00:00:45

Pontos

  1. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    32pts
  2. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    32
  3. Christopher Horner (USA) RadioShack Leopard    28

Montanhas

  1. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    10pts
  2. Daniel Moreno Fernandez (Spa) Katusha    6
  3. Domenico Pozzovivo (Ita) AG2R La Mondiale    4

Combinação (a soma das classificações dos ciclistas no Geral, Pontos e Montanhas. Quanto menor, mais bem colocado.)

  1. Nicolas Roche (Irl) Team Saxo-Tinkoff    5
  2. Christopher Horner (USA) RadioShack Leopard    8
  3. Alejandro Valverde Belmonte (Spa) Movistar Team    14

Vuelta a España 2013

Vai começar a última grande volta de 2013! A partir de amanhã 198 partem de Vilanova de Arousa, no norte da Espanha, rumo a Madri, percorrendo pouco mais de 3.300km em 21 etapas. A edição do ano passado foi uma das mais disputadas, com Alberto Contador (Saxo-Tinkoff) ganhando após voltar de uma suspensão por doping (o caso do bife), à frente de Alejandro Valverde (Movistar) e Joaquim Rodriguez (Katusha).

Trajeto da edição 2013

No percurso deste ano, teremos novamente diversas chegadas em subidas, desde montanhas gigantes como o Alto de L’Angliru (20ª) até rampas curtas como Mirador de Lobeira (3ª). Nos contra-relógio, teremos um por equipes na 1ª etapa, com 27km, o suficiente para já sacodir um pouco a classificação geral, e apenas um individual, com montanhas, na 11ª etapa.

Entre os favoritos, o campeão do Giro, Vincenzo Nibali (Astana), vem com uma equipe fortíssima incluindo Jakob Fuglsang e Janez Brajkovic. O italiano porém também está de olho no campeonato mundial de ciclismo, no final de Setembro. Após um Tour em que teve que fazer uma, digamos, corrida de recuperação, Alejandro Valverde (Movistar) também estará presente, assim como Joaquim Rodriguez (Katusha), que ficou em 3º lugar na prova francesa. A Cannondale aposta suas fichas no experiente Ivan Basso, apesar de ser apenas sua segunda participação na Vuelta.

Além deles, outros dos nomes fortes que participarão: Sergio Henao, Rigoberto Uran (Sky), Roman Kreuziger, Rafal Majka, Nicolas Roche (Saxo-Tinkoff), Laurens Ten Dam, Bauke Mollema (Belkin), Samuel Sanchez, Igor Anton (Euskaltel), Carlos Betancur, Domenico Pozzovivo (Ag2R), Thibaut Pinot (FDJ), Michele Scarponi (Lampre).

No Brasil a prova será transmitida pela ESPN (canais 45 e ocasionalmente 545 quando no HD, na Claro TV).

Outros links sobre a Vuelta

PS: Devido a alguns compromissos pessoais poderei estar offline durante este fim de semana, perdendo as duas primeiras etapas.

O fim do sonho basco

Em 2014 o pelotão do World Tour ficará menos colorido com a ausência da camisa laranja. A tradicional equipe Euskaltel-Euskadi anunciou que não conseguiu um novo patrocinador e vai fechar as portas no próximo ano, encerrando uma história de 20 anos.

Alan Perez, no Tour da Romandia de 2011

Figura constante entre os 10 melhores do Tour e da Vuelta graças a nomes como Iban Mayo, Haimar Zubeldia e mais recentemente Samuel Sanchez, a equipe basca chegou a vencer corridas menores mas importantes como o Criterium du Dauphine, Tou da Suíça e a Volta ao Pais Basco.

Tradicionalmente ela empregava apenas ciclistas bascos ou espanhóis que tivessem corrido em equipes bascas na juventude. Para 2013 passou a contratar “estrangeiros” como o francês Romain Sicard para conseguir pontos e se manter no nível do World Tour.

A crise espanhola atingiu o governo do País Basco (Euskadi), que financiava parte do orçamento da equipe e abandonou o projeto em 2013. A empresa de comunicacões Euskaltel assumiu essa parte mas não iria conseguir manter o mesmo nível de patrocínio para 2014.

Com o fim da Euskaltel, e a Caja Rural sem chances reais de subir para o World Tour, em 2014 muito provavelmente teremos a Movistar (antiga Caisse d’Epargne, Illes Balears e Banesto) como única equipe espanhola no topo do ciclismo mundial, o que contrasta com a performance dos atletas espanhóis, que lideram praticamente todos os rankings de nações do ciclismo (UCI World Tour, CQRanking, ProCyclingStats)

A semana no World Tour – 12 a 17 de Agosto

Times de 2014 continuam ganhando forma.

Entre as transferências e renovações que aconteceram durante a semana, o campeão italiano Ivan Santaromita levará a maglia tricolore da galáctica BMC para popular Orica-GreenEDGE em 2014. A mesma BMC por sua vez recebe Peter Stetina, vindo da Garmin-Sharp. Laurens Ten Dam, top 10 no Tour, renovou com a Belkin. Além das transferências, a Euskaltel-Euskadi dispensou o marroquino Tarik Chaoufi, citando dificuldades de adaptação à vida longe de casa.

Eneco Tour

Na segunda-feira tivemos a 1ª etapa da Eneco Tour, vencida por Mark Renshaw (Belkin), que ainda abriu 2 segundos para o pelotão. Na etapa seguinte, Arnaud Demare (FDJ) prevaleceu na rampa da chegada, também abrindo uma boa vantagem e assumindo a liderança no geral. Na 3ª etapa a Lotto vinha com um trem bem formado para André Greipel até que seu lead out Jurgen Roelandts não percebeu que o alemão havia ficado para trás e acabou ajudando Zdenek Stybar (Omega), ex-bicampeão mundial de ciclo-cross. Na etapa seguinte, a Lotto se redimiu levando Greipel à vitória. Lars Boom (Belkin), vencedor da edição de 2012, assumiu a liderança.

A 5ª etapa foi um contra relógio curto, de apenas 13km, mas com muitas curvas e obstáculos. Sylvain Chavanel (Omega), campeão francês de contra-relógio, venceu e se aproximou de Boom na classificação geral. Favorito antes da etapa, Bradley Wiggins (Sky) foi apenas o 5º colocado. Na ondulada 6ª etapa, que atravessou algumas vezes o morro de La Redoute, também presente na Liege-Bastogne-Liege, David Garcia Lopez (Sky) venceu e o jovem Tom Dumoulin (Argos), de apenas 22 anos, assumiu a liderança no geral.

Na última etapa, com várias passagens pelo Kapelmuur, tradicional subida de paralelepípedos do Tour de Flandres, nova vitória de Stybar, que conseguiu abrir uma boa vantagem de Dumoulin e conquistar sua maior vitória. Em Abril ele foi o 6º colocado na Paris-Roubaix, mesmo após ser derrubado após bater na câmera de um torcedor

Contagem regressiva para a Vuelta a España

No próximo sábado, 24, começa a 68ª edição da Vuelta a España, a mais nova das grandes voltas. Serão 3.319km em 21 estágios, incluindo o temido Alto de L’Angliru, montanha em que Juan Jose Cobo atacou Froome e vestiu a camisa vermelha de líder, que levaria até o final. Um percurso duríssimo espera os ciclistas, com 8 estágios considerados de montanha. No vídeo a seguir, a prévia do Global Cycling Network sobre os principais ciclistas que participarão.

Entre os participantes, Adam Hansen (Lotto) está confirmado e vai tentar completar sua 7ª(!) grande volta consecutiva, tendo iniciado a série na Vuelta de 2011 e como ponto alto a vitória na 7ª etapa do Giro de 2013. Ok, outro ponto alto também foi a subida no Alpe d’Huez neste ano…

 

Froome sobre doping, Wiggins, a vida, o universo e tudo mais

Chris Froome, vencedor do Tour de France, deu uma entrevista a Nick Harris, do Daily Mail. Entre outras coisas, ele comentou sobre a possibilidade de ciclistas que forem pegos em casos claros de doping, como EPO ou transfusões, e não casos leves como os possíveis de contaminação, serem banidos perpetuamente do esporte ao invés dos atuais 2 anos. Sobre Bradley Wiggins, a noiva de Froome afirma que ele não ligou para dar os parabéns ainda. Froome afirma que não se vê como rival de Wiggins, mas também não se vê como amigos. Apenas como colegas de equipe que precisam trabalhar ocasionalmente juntos. Nas palavras dele, “se tivermos uma rota com contra-relógios em dias alternados, então 100% da equipe trabalharia para Wiggins”.

Mais complicações para McQuaid

No imbróglio da candidatura do atual presidente Pat McQuaid, o irlandês acusou o adversário Brian Cookson, da federação britânica, de usar a estrutura de sua federação na sua candidatura. Porém durante a semana surgiu a informação que funcionários da cúpula da UCI ajudaram a redigir a controversa proposta apresentada pela Malásia, que altera as regras da eleição e permitiria McQuaid concorrer a um novo mandato.

Equipe brasileira no mundial

A equipe brasileira Funvic Brasilinvest-São José dos Campos está em 2º lugar no Ranking Americano de ciclismo e está entre as equipes que podem ir para o mundial de contra-relógio por equipes, em Florença, no final de Setembro. Na prova de corrida de estrada, o Brasil tem direito a mandar 3 atletas. Em 2005 Murilo Fischer (FDJ.fr) conseguiu um ótimo 5º lugar.

A semana no World Tour – 5 a 11 de Agosto

Mais transferências

Em termos de corridas a semana foi bastante parada, com os atletas se preparando para a Eneco Tour, que se inicia amanhã, dia 12. Nos bastidores, as negociações entre os atletas e as equipes continuam. Entre as mudanças anunciadas, Peter Velits troca a Omega Pharma-QuickStep pela BMC. Tom-Jelte Slagter, vencedor do Tour Down Under neste ano, troca a Belkin pela Garmin-Sharp.

Eneco Tour

Presente no calendário do World Tour desde 2005 e ocorrendo anualmente desde 1975, originalmente com o nome de Tour da Holanda, desde o ano passado a corrida aumentou a dificuldade por incluir o Muur van Geraardsbergen, muralha de paralelepípedos também presente no Tour de Flandres, em abril. Entre os atletas que participarão está Marcel Kittel (Argos), vencedor de 4 etapas no Tour de France de 2013. Entre as ausencias de última hora, Tom Boonen (Omega) continua vivendo um inferno astral. Dessa vez a culpa é de um cisto na região do “assento”, que já o havia afetado durante o Tour da Dinamarca na semana passada.

Muur

Oleg Tinkoff ainda na mídia

Depois de terminar a parceria com Bjarne Riis, deixando a Saxo como única patrocinadora master da equipe de Alberto Contador, de desferir críticas claras ao espanhol através do Twitter e de especular montar uma equipe própria, Oleg Tinkov voltou aos noticiários, pelo menos na forma de seu banco, o Tinkoff Credit Systems. Um russo recebeu uma oferta de cartão de crédito da Tinkoff e escreveu uma contrato similar, alterando alguns items como ausência de juros e crédito ilimitado. Contrato assinado, ele devolveu para o banco e para sua surpresa alguns dias depois chegou o cartão. Dois anos depois o banco cancelou o cartão, alegando falta de pagamentos e processou o russo por fraude, que revidou com outro processo alegando quebra de contrato…