Ranking provisório para Innsbruck 2018

Dentro de alguns meses, teremos no final de Setembro o mundial de estrada de ciclismo, em Innsbruck. Diferente de outros anos (Qatar 2016, não se esconda), a expectativa é que apenas os escaladores sobrevivam, com um circuito duríssimo.

Nos preparativos, um dos fatores com o qual os técnicos precisam se preocupar é com quantos ciclistas eles podem contar, tanto na convocação como quantos vão efetivamente largar. Em contraste com corridas normais, quando todas as equipes possuem o mesmo número de ciclistas – pelo menos no começo – no mundial a quantidade varia de acordo com a posição do país no ranking mundial de nações da UCI, que leva em conta os 8 melhores ciclistas de cada nação, e é finalizado em Agosto, com as nações mais bem colocadas tendo direito a 9 starters e as últimas apenas 1, de acordo com o bloco em que estão incluídas:

  • Bloco 1 (1º ao 10º) – 9 ciclistas
  • Bloco 2 (11º ao 20º) – 6 ciclistas
  • Bloco 3 (21º ao 30º) – 3 ciclistas
  • Bloco 4 (31º ao 50º) – 1 ciclista
  • Bloco 5 – Nações que possuam pelo menos um ciclista no top 200 do Ranking Individual e que não tenham se classificado pelos critérios anteriores.
  • Bloco 6 – Caso alguma nação desista e não hajam 200 ciclistas inscritos, novas vagas podem ser distribuídas.

Nos próximos parágrafos segue uma lista provisória das nações classificadas e onde elas estavam no ranking de 2017, em caso de mudança. Para os dados, utilizei o ranking do PCS, que já contabilizou a Amstel Gold Race, de ontem.

Bloco 1 – 9 ciclistas

  • Itália
  • Bélgica
  • França
  • Espanha
  • Holanda
  • Colômbia
  • Reino Unido
  • Austrália
  • Noruega
  • Dinamarca (promovido)

Impulsionada pelos resultados de Valgrem (1º Omloop, 4º na Ronde, 1º Amstel) e Pedersen (2º Ronde, 5º Dwars) nas clássicas desse ano, a Dinamarca entra no top 10 e pode levar 9 ciclistas. A questão é se Fuglsang (capitão natural para o mundial) terá condições de aproveitar o apoio – e se o apoio vai conseguir segurar a barra quando o ritmo apertar.

Bloco 2 – 6 ciclistas

  • Alemanha (rebaixado)
  • Polônia
  • Eslovênia
  • Eslováquia
  • Suíça
  • Irlanda
  • Rússia
  • Chéquia
  • Estados Unidos
  • Luxemburgo (promovido)

Não que mude muita coisa no mundial devido a seu foco em sprinters, mas a Alemanha no momento está perdendo 3 ciclistas. O principal motivo foi a fraca temporada de Degenkolb, que trocou top 10 na MSR, Gent, Ronde e Paris-Roubaix em 2017 por nenhum top 10 este ano nas clássicas.

Por outro lado, Jungels ganha 3 gregários com a entrada de Luxemburgo no bloco 2.

Bloco 3 – 3 ciclistas

Aqui começamos a entrar no mundo de “quem é esse?” e dos resultados em corridas fora do circuito WT valendo relativamente muitos pontos

  • África do Sul
  • Portugal (rebaixado)
  • Áustria
  • Ucrânia
  • Canada
  • Nova Zelândia
  • Eritrea
  • Cazaquistão
  • Belarus
  • Letônia (promovido)

Boa notícia: Rui Costa (não o Pimenta, do PCO, mas o Gajo), assim como em Firenze-2013, vai contar com 2 gregários. Má notícia: Poderia contar com 5. E é Rui Costa.

Bloco 4 – 1 ciclista cada

  • Japão
  • Argentina
  • Estônia (rebaixado)
  • Ruanda
  • Irã
  • Venezuela
  • Romênia
  • Argélia
  • Equador
  • Costa Rica
  • Lituânia
  • Azerbaijão
  • Croácia
  • Coréia do Sul
  • Marrocos
  • Hongkong (não classificada em 2017)
  • Etiópia (não classificada em 2017)
  • Grécia (não classificada em 2017)
  • México (não classificada em 2017)
  • Bulgária (não classificada em 2017)

Bloco 5

Nenhuma nação se classificou por esse critério. O ciclista #200 no ranking possui 360 pontos e apenas 4 nações além do 50º lugar possuem mais pontos, e nenhuma tem pelo menos um ciclista no top 200.

Sem vaga no mundial, mas se classificou em 2017

  • Suécia
  • Turquia
  • Brasil
  • Tunísia
  • China

Países grandes (Brasil, China) e pequenos (Tunísia, Suécia). Ricos (Suécia) e relativamente pobres (Tunísia). Mas isso é assunto de um próximo post (relação entre resultados no ciclismo e indicadores sociais).

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Tour de France 2015 – O início

E começou mais uma edição do Tour de France. Este blog cobriu a edição de 2013 com resumos diários após cada etapa, mas para esta edição vou tentar alternar previews das próximas e etapas e reviews condensados das etapas anteriores.

A vez dos escaladores (de novo)?

Neste ano teremos 7 etapas de montanha, incluindo 4(!) em sequência na última semana, culminando numa chegada no Alpe d’Huez. Por outro lado, apenas 42km de contra-relógio, todos antes do primeiro dia de descanso. Para efeito de comparação, em 2012 foram mais de 100km de contra-relógio, dominados por Bradley Wiggins, campeão daquele ano.

Desses 42km, quase 14 foram hoje, na primeira etapa, vencida por Rohan Dennis (BMC). Os outros 28km serão na 9a etapa, por equipes num terreno ondulado na Bretanha, incluindo uma subida a quase 5% nos últimos 2km. Não bastasse essa subida, várias equipes deverão estar desfalcadas. Para efeito de comparação, ano passado as equipes já haviam perdido 14 atletas no começo da 9a etapa. Sky e Lampre, por exemplo, perderam 2.

Os “favoritos”

Uma vez que as subidas que serão as protagonistas do Tour, todos esperam para esse ano a batalha que não houve ano passado, quando Contador e Froome abandonaram antes da metade. O quarteto fantástico formado por Nibali, Contador, Froome e Quintana concentra praticamente todas as atenções, mas outros nomes fortes como Pinot, Van Garderen, Bardet, Rodriguez, Peraud, entre outros, correm por fora, tentando um top-5 ou mesmo algum degrau no pódio. Depois do CR da primeira etapa, praticamente todos eles estão com no máximo 1 minuto de diferença entre si.

As próximas etapas

Nos próximos dias teremos uma variedade de etapas. A 2a etapa continua na Holanda, com um perfil mais plano que a ciclovia de Boa Viagem em Recife, mas com um final perigoso, completamente exposto aos ventos da costa Holandesa. Na 3a etapa, teremos quase uma reedição da Flecha Valona, terminando num concurso de leg press subindo o Mur de Huy. E na 4a etapa, novamente os paralelepípedos do nordeste da França. Dessa vez, a previsão do tempo permanece em nublado, sem expectativa de chuva, ao contrário do mar de lama do ano passado.

Huy - Chemin des chapelles - Chicane et chapelle 3

Por onde acompanhar

Abaixo seguem alguns links com mais informações sobre o Tour e por onde acompanhar

  • INRNG – Eu diria que um dos melhores blogs de ciclismo da atualidade. Tem um guia excelente com informações sobre as etapas e classificações.
  • Pro Cycling Stats – O Cycling Quotient pode ser mais antigo, mas o PCS tem feito um trabalho exemplar de publicar os resultados de corridas de forma simples e direta. Recurso obrigatório para quem quer acompanhar o tour em detalhes.
  • Carro Vassoura – Escrito pelo português Rui Quinta, que está comentando o Tour na África do Sul. No twitter, também cornetando.
  • Steephill.tv – MUITA informação. Galerias de fotos, links para streams, informações do percurso, etc.
  • C-Cycling – Previews diários, pelo jornalista Mikkel Condé
  • Reddit /r/Peloton – Todos os dias com threads com informações da etapa atual e outra com os resultados.