Muito além do Tour – Parte I

Para a maioria das pessoas a expressão “ciclismo profissional” lembra apenas o Tour de France, um dos maiores eventos esportivos do mundo. Apesar de sua importância, o Tour é apenas a corrida mais importante de um complexo sistema, envolvendo quase 200 times e cerca de 1000 eventos, coordenado pela União Ciclística Internacional (UCI)

Neste post veremos como se divide o calendário do ciclismo e as divisões de equipes. No próximo post, uma visão geral das corridas mais importantes do calendário.

As categorias de corridas

A temporada do ciclismo é composta de vários calendários secundários. O principal deles, o UCI World Tour, é composto pelas corridas mais importantes ao longo do ano, como o Tour de France, o Giro d’Italia, a Vuelta a España e a Paris-Roubaix, onde todas as principais equipes são obrigadas a participar, junto com algumas equipes menores convidadas. Logo abaixo estão os calendários continentais, que misturam as equipes grandes e menores. Os calendários continentais são chamados de acordo com o continente que representam: UCI Europe Tour, UCI America Tour, etc.

Todos os calendários são compostos por corridas de um dia, chamadas de clássicas, e corridas de estágios, chamados de tours, voltas, giros, etc. Nos calendários continentais, as clássicas são classificadas como 1.X, enquanto as voltas recebem a classificação 2.X, onde X é o nível de importância das corridas.

Os principais eventos continentais são os HC, como a Omloop Het Nieuwsblad, primeira 1.HC do ano, e o Giro del Trentino, 2.HC que muitos ciclistas usam como corrida preparatória para o Giro d’Italia. Logo em seguida vêm os eventos 1, como o Chrono des Nations (1.1), contra-relógio que fecha a temporada européia e o Tour de San Luis (2.1), crescente prova de nossos hermanos. Por fim, todos os outros eventos recebem o sufixo 2, como é o caso das brasileiras Copa América de Ciclismo (1.2) e Tour do Rio (2.2).

As divisões do ciclismo profissional

Como qualquer esporte o ciclismo também é dividido em divisões, com equipes gigantes com orçamentos milionários como Sky Procycling e Omega-Pharma QuickStep no topo da cadeia e equipes semi-amadoras no nível mais baixo. A “primeira” divisão é composta por 19 equipes chamadas de ProTeams. Logo após estão as equipes Pro Continentais (20) e por último as Continentais.

ProTeams

Para um time ser considerado um ProTeam ele deve fazer o pedido de uma licença para a UCI. O processo de licenciamento é bastante complicado, envolvendo critérios administrativos, éticos, financeiros e esportivos. O INRNG postou no final do ano passado sobre o processo de licenciamento e depois sobre os critérios esportivos (pontuação). Esse processo de licenciamento levou, no final do ano passado e começo deste ano, a uma queda de braço entre a UCI e a Katusha, de Joaquim Rodriguez, que apesar de ter ficado em segundo lugar no ranking do World Tour (e Rodriguez em primeiro) não teve sua licença renovada pela UCI. A equipe acionou a justiça e garantiu o direito de participar do certame.

Carro de apoio da Sky.

Segundo as regras da UCI, os ProTeams devem empregar no mínimo 23 ciclistas, 2 diretores esportivos e 8 outros funcionários (médicos, massagistas, mecânicos).

Pro Continental

Logo abaixo dos ProTeams estão as equipes Professional Continental, também chamadas de Pro Continental. Elas possuem uma estrutura menor mas ainda assim significativa e muitas conseguem bons resultados em eventos do World Tour, onde participam como convidadas, a exemplo da Team Europcar no Tour de France do ano passado e a NetApp-Endura na Vuelta deste ano. Para serem consideradas Pro Continental, as equipes passam por um processo parecido com os ProTeams, se candidatando a licenças emitidas pela UCI.

Continental

Por fim, as equipes restantes registradas na UCI recebem a categoria Continental. As restrições à essas equipes deve ser determinada pela federação do país dessa equipe, aquele com maior número de ciclistas na equipe.

Nesse nível o Brasil tem duas equipes: Clube DataRo de Ciclismo e Funvic BrasilInvest-São José dos Campos.

Nações

Em alguns eventos as equipes participantes são equipes nacionais, como no Tour d’Avenir (2.Ncup), para atletas com até 23 anos de idade.

Combinando equipes e corridas

Uma vez que temos as divisões de equipes e corridas, quais as restrições para cada uma delas?

  • World Tour
    • ProTeams (obrigatório).
    • Equipes Pro Continentais convidadas.
  • 2.HC e 1.HC
    • ProTeams (máximo de 50%, ou 70% no caso da Europe Tour).
    • Pro Continentais.
    • Continentais do país do evento.
    • Nacionais do país do organizador do evento.
  • 2.1 e 1.1
    • ProTeams (50%).
    • Pro Continentais.
    • Continentais.
    • Nacionais.
  • 2.2 e 1.2
    • Pro Continentais do país do evento.
    • Continentais.
    • Nacionais.
    • Regionais e clubes de ciclismo.

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